EBD – Lição 02 – A Salvação na Páscoa Judaica

Por 0 Comment
EBD02Out01

LIÇÃO 02

 

 

A SALVAÇÃO

NA PÁSCOA JUDAICA

01 de outubro de 2017

 

 

 

Professor Alberto

 

 

 

TEXTO ÁUREO

 

 

 “[…] Eu sou o Senhor, e vos tirarei de debaixo das cargas dos egípcios, vos livrarei da sua servidão e vos resgatarei com braço estendido e com juízos grandes” (Êx 6.6)

 

 

 

 

VERDADE PRÁTICA

 

 

A libertação do povo israelita vislumbrava um plano divino maior: libertar e salvar a humanidade.

COMENTÁRIO DO TEXTO ÁUREO

 

 

“[…] Eu sou o Senhor, e vos tirarei de debaixo das cargas dos egípcios, vos livrarei da sua servidão e vos resgatarei com braço estendido e com juízos grandes” (Êx 6.6)

Nosso texto áureo está inserido no capítulo 6 do segundo livro da Bíblia, o livro do Êxodo, entre os versículos 2 a 13, a promessa de Deus em livrar os israelitas.

Trata-se de uma reiteração da Mensagem Divina. Moisés deveria anunciar ao povo a mesma mensagem anterior. Agora Yahweh a tinha reiterado. Um grande livramento estava surgindo no horizonte, e esse livramento contava com o poder de Deus.

“… vos resgatarei com braço estendido” – O poder de Deus haveria de manifestar-se, e a tarefa da libertação seria cumprida. Com grandes manifestações de julgamento. Esses juízos seriam dois:

  1. Mediante uma longa série de prodígios que produziriam confusão e destruição, culminando na décima praga mediante a qual pereceriam todos os primogênitos do Egito. Assim teria cumprimento o que fora dito em Êx 4.22,23: “Então dirás a Faraó: Assim diz o Senhor: Israel é meu filho, meu primogênito. E eu te tenho dito: Deixa ir o meu filho, para que me sirva; mas tu recusaste deixá-lo ir; eis que eu matarei a teu filho, o teu primogênito”.

  2. Haveria o grande milagre de destruição na travessia do mar Vermelho (Êx 14) (Adaptado).

 

 

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Êxodo 12.21-24.29

21 Chamou pois Moisés a todos os anciãos de Israel, e disse-lhes: Escolhei e tomai vós cordeiros para vossas famílias, e sacrificai a páscoa.

22 Então tomai um molho de hissopo, e molhai-o no sangue que estiver na bacia, e passai-o na verga da porta, e em ambas as ombreiras, do sangue que estiver na bacia; porém nenhum de vós saia da porta da sua casa até à manhã.

23 Porque o SENHOR passará para ferir aos egípcios, porém quando vir o sangue na verga da porta, e em ambas as ombreiras, o SENHOR passará aquela porta, e não deixará o destruidor entrar em vossas casas, para vos ferir.

24 Portanto guardai isto por estatuto para vós, e para vossos filhos para sempre.

29 E aconteceu, à meia noite, que o SENHOR feriu a todos os primogênitos na terra do Egito, desde o primogênito de Faraó, que se sentava em seu trono, até ao primogênito do cativo que estava no cárcere, e todos os primogênitos dos animais.

 

 

 

OBJETIVO GERAL

 

 

 

Saber que a libertação dos israelitas vislumbrava um plano divino maior: libertar e salvar a humanidade.

 

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

 

 

  • I- Mostrar como se deu a instituição da Páscoa;

  • II- Explicar a importância e o significado do cordeiro da Páscoa;

  • II- Tratar a respeito da relevância e do significado do sangue do cordeiro na Páscoa.

 

 

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

 

 

Na lição de hoje estudaremos a respeito da instituição de uma das celebrações mais significativas e importantes para Israel: a Páscoa.

Deus desejava que os hebreus nunca se esquecessem desta importante data que marcaria um novo tempo, um tempo de libertação.

Por isso a data fora santificada.

No decorrer da lição, procure enfatizar que a Páscoa era uma oportunidade para os israelitas descansarem, festejarem e adorarem a Deus por tão grande livramento, que foi a libertação e saída do Egito.

Entretanto, a Páscoa comemorada ali no Egito apontava para o nosso Cordeiro Pascal, Jesus Cristo.

Ele é o Cordeiro de Deus que morreu para trazer redenção aos judeus e gentios.

Cristo nos livrou da escravidão do pecado e da condenação eterna, portanto, exaltemos ao Senhor diariamente por tão grande salvação.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

 

 

INTRODUÇÃO

 

 

Na Páscoa, os israelitas relembram o modo milagroso pelo qual Deus operou a salvação de seu povo, livrando-o da opressão, do sofrimento, da angústia e da escravidão promovida pelos egípcios.

Era a lembrança da fidelidade de Deus à sua promessa, do seu amor libertador e do cuidado, sem igual, em favor do seu povo.

Nesta lição, estudaremos os aspectos-chave e simbólicos da Páscoa e o novo significado que tão importante celebração assumiu com a morte e a ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo.

 

PONTO CENTRAL

 

 

A libertação do povo israelita vislumbrava um plano divino maior para judeus e gentios.

 

  1. A INSTÍTUIÇÃO DA PÁSCOA

 

  1. O livramento nacional.

 

Para o povo de Israel, a Páscoa representa o que o dia da independência significa para um país colonizado por uma metrópole.

Mais ainda, essa magna celebração significa a verdadeira libertação experimentada por uma nação, expressada pela liberdade espiritual do povo para servir ao Deus Criador (Êx 12.1-13,16).

Historicamente, foi o último juízo sobre o Egito e a provisão do sacrifício pascal que possibilitaram o livramento da escravidão e a peregrinação do povo judeu rumo à Terra Prometida (Êx 12.29-51).

 

 

 

  1. A libertação da escravidão.

 

 

Os israelitas habitaram por aproximadamente 430 anos no Egito (Êx 12.40).

Na maior parte desse tempo, eles experimentaram a dominação, a escravidão e a humilhação.

Ser escravo no Antigo Oriente era estar sob a dependência política, econômica e social de outra nação.

A religião a ser professada pelo povo escravo era a da nação dominadora, logo, não havia dignidade nacional para a escrava.

Entretanto, no caso dos israelitas, o Deus Todo-Poderoso ouviu “o gemido dos filhos de Israel, aos quais os egípcios escravizam”, e lembrou-se de sua aliança (Êx 6.5).

Do sofrimento da escravidão, o clamor do povo chegou a Deus que lhe proveu o livramento.

 

 

 

  1. A nova celebração judaica.

 

 

A Páscoa passou a ser a nova festa religiosa dos israelitas, pois essa celebração foi instituída por Deus, mediante o legislador Moisés, e um novo ano religioso começou (Êx 12.1-20).

Os israelitas passavam oito dias comendo pães sem fermento, o matzá, isto é, fatias de pães asmos.

Tudo isso para trazer à memória a grande fuga do Egito que fora tão rápida, a ponto de não haver tempo para deixar o pão caseiro crescer, pois esse pão deveria ser consumido antes de a massa levedar (Êx 12.39,40).

 

 

 

SÍNTESE DO TÓPICO (I)

 

 

A Páscoa foi instituída por Deus.

 

SUBSÍDIO DIDÁTICO

 

 

Professor (a), para iniciar o primeiro tópico da lição faça a seguinte pergunta: “O que significa a palavra Páscoa?”

Ouça os alunos com atenção e explique que significa “passar por”.

Explique que este vocábulo tornou-se o nome de uma das mais importantes celebrações do povo hebreu.

Diga que a festa da Páscoa acontecia no mês de abibe (março/abril). Depois, utilizando o quadro abaixo, explique aos alunos o significado desta celebração para os egípcios, judeus e cristãos.

Conclua enfatizando que a Páscoa nos fala do sacrifício de Cristo, nosso Cordeiro Pascal.

.

A PÁSCOA

SEU SIGNIFICADO

Para os egípcios.

Significava o juízo divino sobre o Egito.

Para os israelitas.

A saída do Egito, a passagem para a liberdade.

Para os cristãos.

É passagem da morte dos nossos pecados para a vida de santidade em Cristo.

 

 

 

  1. O CORDEIRO DA PÁSCOA

 

 

  1. O cordeiro no Antigo Testamento.

 

 

No Antigo Testamento, o cordeiro constituía parte fundamental dos sacrifícios oferecidos para remissão dos pecados.

Ele foi introduzido na cultura dos israelitas quando Deus libertou o seu povo, conforme nos relata Êxodo 12.3-10.

Para oferecer o cordeiro em sacrifício, o sacerdote e o povo deveriam observar algumas exigências: o animal deveria ser completamente limpo, não poderia haver manchas nem outros defeitos, ser imaculado e plenamente saudável (Lv 4.32; Nm 6.14).

Todo esse simbolismo apontava para Jesus, o verdadeiro Cordeiro pascal.

 

 

 

  1. Jesus, o verdadeiro Cordeiro pascal.

 

 

A páscoa cristã é o memorial de como Deus substituiu os sacrifícios temporários por um único e definitivo.

Nesse aspecto, o cordeiro do Antigo Testamento era sombra do apresentado no Novo, “morto desde a fundação do mundo” (Ap 13.8).

Por isso, ao comemorarmos a Páscoa, devemos atentar seriamente para o glorioso feito de Jesus na cruz.

Cristo é o fundamento, a essência da Páscoa; se não atentarmos para Ele, nossa Páscoa torna-se vazia de sentido.

Além disso, somos chamados a celebrar o verdadeiro Cordeiro com alegria e gratidão, pois por intermédio dEle a nossa culpa foi anulada definitivamente. Deus nos purificou e nos fez dignos de “assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus” (Ef 2.6).

Agora, uma vez em Cristo, somos santificados, justificados e perdoados (Rm 5.1,2; 8.1).

 

SÍNTESE DO TÓPICO (II)

 

 

O cordeiro da Páscoa apontava para Jesus, o Cordeiro Deus.

 

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

 

 

O cordeiro da Páscoa no Êxodo 12 deveria ser morto e comido na noite da Páscoa, e o seu sangue deveria ser espargido nos umbrais das portas.

O Senhor Jesus Cristo associou a Santa Ceia à festa da Páscoa judaica (Mt 26.17-19).

Dessa forma, a Páscoa está tipificando que Cristo é a nossa Páscoa (1Co 5.7).

O cordeiro a ser oferecido não deveria ter manchas ou defeitos (Êx 12.5) e nenhum osso deveria estar quebrado (Êx 12.45), o que nos mostra que nenhum osso de Cristo seria quebrado em sua morte na cruz.

O conceito do Cordeiro de Deus foi tão completamente desenvolvido em Isaías 53 que estava claro para os santos do Antigo Testamento que Ele não era outro senão o Servo do Senhor.

Parece que Isaías 53 é o capítulo que contém mais referências cruzadas com o Novo Testamento em toda a Bíblia Sagrada.

O Cordeiro de Deus no Novo Testamento

No primeiro capítulo de seu Evangelho, João registra como João Batista aponta para Jesus como o ‘Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo’ (Jo 1.29,36).

Pedro, em sua primeira epístola, diz que Cristo foi o cordeiro conhecido antes da fundação do mundo (1Pe 1.19, 20).

Portanto, o conceito do Antigo Testamento do cordeiro sacrificial revela tipicamente e profeticamente o plano de Deus para oferecer Cristo como o sacrifício propiciatório pelos pecados do homem.

(Dicionário Bíblico Wycliffe. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, p. 454).

EBD02Out02

 

 

 

 

III. O SANGUE DO CORDEIRO

 

 

 

  1. O significado do sangue.

 

 

A primeira abordagem da Bíblia acerca dos sacrifícios está no livro de Gênesis (Gn 3.21; 4.1-7).

O sacrifício de animais era uma forma de lidar com os problemas do pecado, quando este destruiu a paz entre Deus e a humanidade (Is 59.2).

O sacrifício era oferecido para expiação dos pecados do transgressor, em que este era perdoado e, mediante essa expiação, tinha a sua relação com Deus restabelecida.

O maior símbolo, e principal elemento desse ritual, era o sangue do animal sacrificado.

Isso porque “sangue”, na Bíblia, representa a vida; e a vida do animal, “derramada” no sacrifício, era o que restabelecia a paz entre Deus e o ser humano (Lv 17.11 cf. Hb 9.23-28).

 

 

 

  1. O sangue do cordeiro pascal.

 

 

Antes do advento da última praga sobre os egípcios.

Deus ordenou aos judeus que preparassem um cordeiro para cada família (Êx 12.3).

A orientação era a seguinte: após matarem o cordeiro, os israelitas deveriam passar o sangue da vítima nas ombreiras e no umbral da porta de suas casas (Êx 12.7).

Isso serviria de sinal para que quando o Senhor passasse e ferisse os primogênitos do Egito, conservasse a vida dos israelitas intacta (Êx 12.13).

Assim, a orientação divina protegeu os primogênitos israelitas e o sangue do cordeiro pascal foi o símbolo de proteção deles diante da morte.

Nesse sentido, o sangue de Jesus Cristo, o verdadeiro Cordeiro, nos protege da morte eterna e da maldição originada pelo pecado (l Jo 1.7).

Tal como o sangue do cordeiro pascal que livrou o povo da morte, assim também o sangue de Jesus nos livra da morte espiritual e da condenação eterna.

 

 

 

  1. O sangue da Nova Aliança.

 

 

Em o Novo Testamento, ao celebrar a Páscoa na última ceia, Jesus afirmou que o seu sangue era o símbolo da Nova Aliança (Lc 22.14-20); era o real cordeiro, bem como o verdadeiro sacerdote, sendo o sacrifício e o oficiante ao mesmo tempo.

Por essa razão, o livro de Hebreus afirma que Cristo é o mediador da Nova Aliança e, mediante seu sangue, redime de modo efetivo ao que crê (Hb 12.24).

Nesse sentido, o sangue da Nova Aliança deu acesso direto do ser humano ao trono da graça (Hb 4.16) e autoridade exclusiva a Jesus como o único e verdadeiro mediador entre Deus e os homens (1 Tm 2.5).

Desse modo Cristo fez da Igreja um povo de verdadeiros sacerdotes com autoridade e legitimidade para partilhar da intimidade com Deus, para interceder uns pelos outros e anunciar as boas novas dessa Nova Aliança (1Pe 2.9).

 

 

SÍNTESE DO TÓPICO (III)

 

 

O sangue do cordeiro pascal apontava para o sacrifício perfeito do Cordeiro de Deus.

 

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

 

 

O sangue

O sangue também desempenhou um papel significativo nas práticas religiosas do Antigo Testamento.

Vale a pena observar que o sangue não representava nenhum elemento básico nos sacrifícios, nem tinha alguma função especial ou significado nos rituais de quaisquer outros povos do antigo Oriente Próximo ou do Mediterrâneo.

O sistema de sacrifícios da lei, baseado nos primitivos sacrifícios de animais do período patriarcal, exigia a morte da vítima em nome do pecador e consistia na aspersão do sangue ainda morno pelo sacerdote como prova de sua morte pela expiação dos pecados (Lv 17.11,12).

Nos sacrifícios, era exigida a morte da vítima para que sua vida fosse oferecida a Deus como substituto da vida do pecador arrependido. Dessa maneira, o pecador era limpo e a culpa era removida (Hb 9.22).

Esse cenário forma a base para a presença do sangue de Cristo no Novo Testamento.

O derramamento do sangue de Jesus, na cruz, encerrou sua vida terrena, pois Ele, voluntariamente, ofereceu-se para morrer em nosso lugar, como o Cordeiro de Deus que foi assassinado para nos redimir (1Pe 1.18-20); e a aspersão desse sangue trouxe o perdão de todos os pecados dos homens (Rm 3.25).

Seguindo o padrão do Dia da Expiação dos judeus (Lv 16), Cristo é o nosso sacrifício expiatório (Hb 9.11-14) e também a nossa oferta pelo pecado (l Pé 1.18,19).

Assim como Moisés selou o pacto entre Deus e a antiga nação de Israel, no Sinai, com a aspersão do sangue (Êx 24.8), também o novo pacto de Jeremias (31.31-34) foi selado pelo sangue de Cristo (Hb 9.14).

Ao instituir a Ceia do Senhor, Jesus falou do cálice como ‘o Novo Testamento [ou aliança]’ no seu próprio sangue (1Co 11.25).

(Dicionário Bíblico Wycliffe. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, p. 1758).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

 

A Páscoa para os judeus é a memória da ação salvadora de Deus.

Para nós, os cristãos, é a recordação da ação redentora de Jesus em favor da humanidade.

Cristo é a nossa verdadeira Páscoa, o Cordeiro único e o Sumo Sacerdote por excelência. Seu sacrifício foi definitivo e completo.

Por isso, ao lermos sobre a Páscoa, devemos celebrar a Nova Aliança manifesta em Cristo Jesus.

Hoje somos filhos de Deus mediante a nova e perfeita aliança no sangue do Cordeiro que tira o pecado do mundo.

 

 

SUBSÍDIO TEOLÓGICO II

“[…] Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós” (1 Co 5.7b).

O versículo em apreço está inserido no capítulo 5 de 1 Coríntios, quando o apóstolo Paulo exorta e repreende duramente a igreja de Corinto a respeito da sua tolerância a impureza, sua jactância e do fermento velho, exortando-os a tirar dentre eles o fornicador iníquo (1 Co 5.13b).

Especificamente a respeito do versículo 7 parte b, nosso texto áureo: “[…] Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós” – o apóstolo Paulo nos ensina sobre o elevadíssimo ideal cristão, Cristo, nosso Cordeiro Pascal, através do seu santo sangue, podemos nos libertar de todo fermento velho do pecado, de toda impureza da carne. Cristo Jesus morreu durante o período da páscoa, e o apóstolo Paulo nos ensina que Ele é a nossa páscoa.

A palavra páscoa vem do hebraico pessach, em português “passagem” em referência a passagem do destruidor (Ex 12.23; Hb 11.28). A páscoa é uma festa instituída por Deus a Israel (Ex 12; Lv 23.4-8), em lembrança da morte dos primogênitos do Egito e da libertação da escravidão dos israelitas no Egito. Os filhos primogênitos dos israelitas foram poupados graças ao sangue do cordeiro pascal aspergidos na porta de suas casas (Ex.12.7, 12-13; 22-23).

“E acontecerá que, quando entrardes na terra que o Senhor vos dará, como tem dito, guardareis este culto. E acontecerá que quando vossos filhos vos disserem: Que culto é este vosso? Então, direis: Este é o sacrifício da Páscoa ao Senhor, que passou as casas dos filhos de Israel no Egito, quando feriu aos egípcios e livrou as nossas casas…” (Ex 12.25-27).

Chama-se a “Páscoa do Senhor”, a “festa dos pães asmos” (Lv 23.6, Lc 22.1), os dias dos “pães asmos” (At.12.3, 20.6). A palavra páscoa é aplicada não somente à festa no seu todo, mas também ao cordeiro pascal, e à refeição preparada para essa ocasião solene (Lc 22.7, 1 Co 5.7, Mt 26.18-19, Hb 11.28).

Os israelitas observavam a páscoa da seguinte forma: o mês da saída do Egito (nisã-abibe) devia ser o primeiro mês do ano sagrado, e no décimo quarto dia desse mês, entre as tardes, isto é, entre a declinação do sol e o seu ocaso, deviam os israelitas matar o cordeiro pascal e abster-se de pão fermentado. No dia seguinte, o 15°, principiava a grande festa da páscoa, que durava 7 dias; mas somente o 1° e o 7° dias eram particularmente solenes (Ex 12.15-20).

O cordeiro morto tinha que ser sem defeito, macho e de um ano. Quando não fosse encontrado o cordeiro, podia matar um cabrito (Ex 12.5). Naquela mesma noite devia ser comido o cordeiro, assado, com pão asmo, com ervas amargosas, não devendo, além disso, serem quebrados os ossos. Se alguma coisa ficava para o dia seguinte, era queimada (Ex 12.8-10). Os que comiam a páscoa precisavam estar na posição de viajantes, cingidos os lombos, tendo os pés calçados, com os cajados na mão, alimentando-se apressadamente (Ex 12.11). Durante os dias da páscoa não se podia comer pão levedado, embora fosse permitido preparar a comida, sendo isto, contudo, proibido no sábado (Ex.12.19-20).

A páscoa era uma das três festas em que todos os varões haviam de “aparecer diante do Senhor” (Ex 26.14-17). Era tão rigorosa a obrigação de guarda a páscoa, que todo aquele que a não cumprisse seria condenado à morte (Nm 9.13), mas aqueles que tinham qualquer impedimento legítimo, como jornada, doença ou impureza, tinham que adiar sua celebração (Nm 9).

No Novo Testamento, Cristo é o sacrifício da páscoa. Isso pode ser visto na palavra profética de João Batista, no Evangelho Segundo João 1.29b: “…Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”, e o apóstolo Paulo declara em 1 Coríntios 5.7-8: “Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa Páscoa, foi sacrificado por nós. Pelo que façamos festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os asmos da sinceridade e da verdade”. (grifo nosso)

O Senhor Jesus é para os cristãos o Cordeiro de Deus que foi imolado para nossa salvação, para a libertação da escravidão do pecado. Para isso Deus Pai designou a morte expiatória do seu Filho unigênito, nosso Senhor Jesus Cristo, exatamente no dia da páscoa judaica, criando o paralelo entre a aliança antiga, no sangue do cordeiro imolado, e a nova aliança, no sangue do cordeiro de Deus, Jesus Cristo, nosso cordeiro imolado.

De acordo com os quatro evangelhos do Novo Testamento, o Senhor Jesus ressuscitou no primeiro dia da semana, ou seja, no domingo: “E no final do sábado, quando já despontava o primeiro dia da semana, Maria Madalena e outra Maria foram ver o sepulcro” (Mt 28.1). “E Jesus, tendo ressuscitado na manhã do primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete demônios” (Mc 16.9). “E, no primeiro dia da semana, muito de madrugada, foram elas ao sepulcro, levando as especiarias que tinham preparado. E acharam a pedra do sepulcro removida” (Lc 24.1-2). “E no primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu a pedra tirada do sepulcro” (Jo 20.1), e o apóstolo João declara que teve uma visão no dia do Senhor, que algumas traduções traduziram como domingo: “Eu fui arrebatado em espírito no dia do Senhor, e ouvi detrás de mim uma grande voz, como de trombeta” (Ap 1.8).

Também os pais da igreja cristã em seus escritos apontam para o domingo, ou o primeiro dia ou o oitavo dia da semana, como o dia da ressurreição do Senhor Jesus, dia da vitória, dia de júbilo, pois Jesus Cristo ressuscitou para nossa justificação (Rm 4.25).

Portanto, os significados dos elementos da Páscoa são: o cordeiro, sacrifício com derramamento de sangue, (comunhão com Deus) os pães asmos (sem fermento) a pureza e as ervas amargas lembra a servidão, escravidão e amargura. Após o cerimonial deu-se a saída da servidão para uma nova pátria. Isso é a verdadeira Páscoa. O sangue nos batentes das portas, um sinal que ali morava um servo do Altíssimo Deus.

Para o judeu a Páscoa é muito importante, é estatuto perpétuo (Ex 12.17). E o cristão, deve comemorar a páscoa? Não encontramos na Bíblia nenhuma ordem expressa para o cristão celebrar a Páscoa. A Bíblia diz em I Coríntios 5: 7 que Cristo é a nossa Páscoa e recomenda-nos a limpar do fermento velho: “Alimpai-vos, pois do fermento velho para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento, porque Cristo, nossa Páscoa foi sacrificado por nós”.

Para o cristão, Cristo é o Cordeiro Pascal. Cristo, o Cordeiro sem mácula, de pureza incontestável, incontaminado (1 Pd 1.18-19; Hb 4.15). Na Páscoa estavam a salvo aqueles em cujas portas havia sinal de sangue, para o cristão, havendo sinal de sangue na vida, estará com certeza livre da condenação.

Cristo, participando da sua última Páscoa, como homem judeu, aproveitou esse momento e instituiu a Santa Ceia e não recomendou para o cristão a celebração da Páscoa, mas disse que todas as vezes que participássemos da Santa Ceia estaríamos memorando sua morte (I Co 11.23-28) “Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim. Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciais a morte do Senhor, até que venha. Portanto, qualquer que comer este pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão, e beba deste cálice”.

A Santa Ceia foi instituída para o cristão, ela trás a memória a morte de Cristo e nossa libertação do pecado, através do sacrifício e méritos do Senhor Jesus no Calvário. Que depois desta simples exposição, possamos pensar no real significado da Páscoa, aplicando as lições que este tema sugere, para que possamos desfrutar do privilégio da genuína libertação por meio de Cristo, nosso cordeiro pascoal: “Porque Cristo, nossa Páscoa, foi sacrificado por nós” (1 Co 5.7b).

 

 

SUBISÍDIO HISTÓRICO

 

PÁSCOA, A DATA

A páscoa judaica ocorre 163 dias antes do início do ano judaico. O dia da páscoa cristã que é comemorado no Calendário Gregoriano, não é a mesmo do Calendário Juliano.

 Lutz Doering, professor da Universidade de Durham, na Grã-Bretanha, diz que há registros de que até o século 2 muitos cristãos celebravam a festa no dia 14 de Nisan do calendário judaico, mesma data do Pesach.

Doering explica que alguns grupos passaram a celebrar a Páscoa no domingo após o Pesach, “porque viam a data como independente, uma nova celebração ligada exclusivamente à ressurreição de Jesus”. Convencionou-se então que a Páscoa seria celebrada no domingo após a primeira lua cheia da primavera, guiando-se pela data do equinócio.

O debate sobre a mudança foi documentado por Eusébio, historiador romano e bispo de Cesareia, que narra os encontros entre diferentes grupos que queiram fazer prevalecer sua posição.

Ao fim, cada um continuou a celebrar na data que considerava correta, até o Primeiro Concílio de Niceia, em 325 d.C.. O concílio, convocado pelo imperador Constantino, foi uma tentativa de unificar as normas e a tradição cristã, que havia sido feita religião lícita no Império Romano em 312 d.C.. O concílio decidiu que todos os cristãos deveriam celebrar a Páscoa na mesma data e que esta seria separada do Pesach.

A data da nossa páscoa ocidental está em sintonia com o decreto do Papa Gregório XIII (1502-1585), Inter Gravissimas de 24 de fevereiro de 1582, inspirado e evocando os documentos do primeiro Concílio de Nicéia de 325 d.C., segundo ele, é o primeiro domingo depois da lua cheia que ocorre em ou logo após 21 de março, data fixada para o equinócio de primavera no hemisfério norte.

Entretanto, a data da lua cheia não é a real, mas a definida nas Tabelas Eclesiásticas, que, sem levar totalmente em conta o movimento complexo da Lua, podia ser calculada facilmente, e está próxima da lua real. De acordo com essas regras, o dia da páscoa nunca acontece antes de 22 de março nem depois de 25 de abril.

 

 

 

OVOS DE CHOCOLATE

Em várias culturas antigas espalhadas no Mediterrâneo, no Leste Europeu e no Oriente, era comum utilizar o ovo como presente. Em geral, esse tipo de manifestação acontecia quando os fenômenos naturais anunciavam a chegada da primavera.

Não por acaso, vários desses ovos eram pintados com algumas gravuras que tentavam representar algum tipo de planta ou elemento natural. Em outras situações, o enfeite desse ovo festivo era feito através do cozimento deste junto a alguma erva ou raiz impregnada de algum corante natural.

Os egípcios distribuíam ovos no início da nova estação. Os chineses costumavam presentear os amigos com ovos. Eles embrulhavam os ovos com cascas de cebola e os cozinhavam com beterraba. Quando retirados do fogo, apresentavam desenhos mosqueados na casca. Na Europa as representações mais comuns, havia a figura de uma mulher que observava um coelho saltitante enquanto segurava um ovo nas mãos, tudo isso reforçava o ideal de fertilidade comemorado por eles.

Atravessando a Antiguidade, este costume ainda se manteve vivo entre as populações. No início do cristianismo, presenteava-se com alimentos, mas no auge do período medieval, nobres e reis de condição mais abastada costumavam comemorar a Páscoa presenteando os seus com o uso de ovos feitos de ouro e cravejados de pedras preciosas.

Até que chegássemos ao famoso ovo de chocolate, foi necessário o desenvolvimento da culinária e, antes disso, a descoberta do continente americano, já que o cacau é nativo da América. Ao entrarem em contato com os maias e astecas, os espanhóis foram responsáveis pela divulgação desse alimento sagrado no Velho Mundo.

Somente duzentos anos mais tarde, os culinaristas franceses tiveram a ideia de fabricar os primeiros ovos de chocolate da história. Depois disso, a energia desse calórico extrato retirado da semente do cacau também reforçou o ideal de renovação sistematicamente difundido nessa época.

A partir do século 18, a Igreja Católica adotou o ovo oficialmente como símbolo da Páscoa. Assim, os ovos tornaram-se o símbolo da ressurreição e da nova vida para os católicos. A explicação mais provável para o surgimento da troca de ovos de chocolate na Páscoa foi o início da produção em larga escala de chocolate pela indústria em 1828 e o grande desenvolvimento do comércio com sua agressiva propaganda, e a apreciação geral por esse alimento.

Como cristãos evangélicos, precisamos ter discernimento para ensinar o que a Bíblia realmente diz sobre a Páscoa, especialmente para as crianças, adolescentes e jovens é muito importante explicar o significado da Páscoa, mostrando Cristo como a nossa Páscoa.

Normalmente as professoras cristãs da área infantil tem se esforçado para explicar o verdadeiro significado da páscoa, sem deixar de satisfazer a apetite da criançada com o delicioso ovo de chocolate. Não há problema algum saborear um ovo de chocolate, ter um coelhinho, ou mesmo presentear alguém nesta época, desde que obviamente venhamos explicar o verdadeiro sentido da Páscoa cristã.

Nesta época do ano, somos bombardeados pelas belíssimas propagandas e pelo comércio, que por sinal geral renda e trabalho, no entanto, como servos de Deus que somos, precisamos ensinar a Palavra de Deus, para que todos os cristãos saibam e vivam o verdadeiro significado da Páscoa.

O COELHO DA PÁSCOA

O coelho representa a periodicidade humana e lunar, a fertilidade e o renascimento da vida. No Antigo Egito, a lebre era o símbolo da fertilidade. Na Europa, o coelho representava o renascimento da vida, já que a Páscoa européia coincide com o início da primavera. É a época em que a neve derrete, a vida ressurge e os coelhos deixam suas tocas após a hibernação do inverno.

Atualmente os coelhinhos de chocolate e os ovos são os preferidos das crianças, porém é importante lembrarmos que estas coisas não possuem nenhuma relação com o sentido real da Páscoa. Também não são estes os elementos presentes na páscoa ou na ceia do Senhor, de forma que, se quisermos comprar ovos de chocolate, façamos isto como quem compra chocolate e não com reverência pascoal, porque tanto os coelhinhos e ovos de chocolate não têm nenhuma relação com a páscoa da Bíblia.

 

ASSISTA O DOCUMENTÁRIO SOBRE O ÊXODO: Patterns of Evidence: Exodus https://www.netflix.com/watch/80058067?trackId=156089886&tctx=0%2C0%2C3522d6c8-2227-46b2-808d-03e0266edb0a-86841283

 

Faça o download do arquivo .doc aqui: Baixar

 

Deixe um Comentário