EBD – Lição 05 – A identidade do Espírito Santo

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LIÇÃO 05

A IDENTIDADE DO ESPÍRITO SANTO

30 de julho de 2017

Professor Alberto

TEXTO ÁUREO

 “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1 Co 3.16)

 

 

VERDADE PRÁTICA

 

 

Cremos que o Espírito Santo é a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, Senhor e Vivificador, que convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo, regenera o pecador, e que falou por meio dos profetas.

COMENTÁRIO DO TEXTO ÁUREO

“Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1 Co 3.16)

 

 

O contexto do nosso texto áureo está no capítulo 3 da Primeira  Epístola de Paulo aos Coríntios entre os versículos 1 a 23, sobre o espírito mundano que causa dissensões nas igrejas.

As pessoas que confessam ao Senhor Jesus Cristo como Senhor e Salvador, possuem a presença em sua vida do Espírito Santo: “E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o Dia da redenção” (Ef 4.30). Paulo escrevendo ao Romanos declara: “Vós, porém, não estais  na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus, habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele. E se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça. E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo também vivificará o vosso corpo mortal, pelo seu Espírito que em vós habita” (Rm 8.9-11).

O Espírito Santo é o próprio agente da conversão e da regeneração, bem como da fé que é o instrumento intermediário da conversão. O Espírito Santo habita nos crentes em Jesus, nosso corpo é o lugar da habitação de Deus, isto é, o lugar geográfico onde ele manifestava a sua presença: “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1 Co 3.16).

Infelizmente não obstante a essa gloriosa verdade, de que cada crente ser o templo de Deus, a experiência cristã mostra-nos que, a despeito da influência do Espírito Santo, a pervertida vontade humana pode transformar a vida cristã em uma experiência negativa, e a pessoa passa a andar segundo a carne, e isso leva ao partidarismo, e o partidarismo leva a divisão, e a divisão a ruína.

A perversidade da vontade humana pode ser tão grande que leve o crente a tornar-se inconsciente até mesmo da presença e da influência do Espírito de Deus. Por causa disso, embora alguém esteja em Cristo, sua vida pode ser prejudicial a outros e a ele mesmo; e é uma pessoa assim que será adversamente julgada perante o «tribunal de Cristo», conforme é descrito nestes versículos (1 Co 3.3-15).

O povo judeu era conhecedor da presença de Deus no templo de Jerusalém, os  primeiros seguidores de Cristo, conheciam esse ensinamento do Antigo Testamento, sem dúvida também era familiar para muitos daqueles crentes, que, nos últimos tempos, Deus edificaria um templo no qual pudesse habitar: “Vós também como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo para oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo” (1 Pe 2.5). Essa doutrina é «espiritualizada» a fim de indicar a comunidade dos crentes.

Portanto, aqueles mestres que se inclinavam para a contenda e dissensões, atitudes carnais, e vivendo segundo os homens, e que dividiam a igreja de Corinto com suas facções, eram indivíduos que dependiam da sabedoria do mundo, e não da sabedoria divina (1 Co 3.1-3).

Essas atitudes carnais, conspiravam contra a obra de Deus, tais pessoas deveriam compreender que, na realidade, essas atitudes atentavam contra a habitação do Espírito de Deus, contra os próprios irmãos, tentando derrubar o templo, cometendo assim um terrível sacrilégio.

Nenhum daqueles líderes teriam tido a coragem de invadir o templo de Jerusalém destruindo qualquer coisa ali presente, porque isso é sacrilégio. Contudo, em suas ações, pervertiam e procuravam destruir o verdadeiro templo do Espírito Santo, a Igreja do Senhor, a comunidade dos crentes, cada um dos quais, individualmente, era templo do Espírito de Deus. Mediante essa ilustração, pois, é possível que tais líderes compreendessem a grande depravação de suas ações: “Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós é santo” (1 Co 3.17).

Paulo cheio do Espirito Santo declara que o templo de Deus é santo; e, por essa mesma razão, é necessário que os crentes também sejam santos, dessa maneira ele prepara o caminho para seus esclarecimentos acerca da degradação moral da igreja de Corinto, que ele aborda no quinto capítulo desta epístola.

 

“Não sabeis vós que sois o templo de Deus…” – Os crentes de Corinto agiam como se não soubessem dessa verdade; ignoravam propositadamente tal fato; tinham obscurecido essa realidade por seu espírito contencioso; haviam retirado o poder da presença do Espírito nos crentes. Paulo, pois, lembra-lhes aqui da posição elevada que ocupavam aos olhos de Deus, o que ultrapassava a todas as demais instituições religiosas conhecidas no mundo. É verdade que aqueles crentes de Corinto «conheciam» a verdade sobre sua elevada posição em Cristo, mas tão-somente como uma proposição mental, como uma doutrina; mas já haviam perdido o poder e a realidade de tal conhecimento, na vida diária.

 

“…sois o templo de Deus…” – “…santuário…”.  O vocábulo grego por detrás desta tradução é «naos», o recinto sagrado, o lugar santíssimo, em contraste com o «hieron», o restante do templo em seus diversos compartimentos. Entretanto, essas duas palavras, no original grego, podiam ser usadas como sinônimos. Por semelhante modo, o crente é o lugar santíssimo onde habita o Espírito de Deus; logicamente, pois, tudo quanto Jesus Cristo tenciona para os crentes, deve ter cumprimento. Os crentes devem ser santos, vivendo em paz com os seus irmãos na fé, e não em estado de agitação, criando, encabeçando ou participando de facções.

A aplicação dos ensinamentos contidos neste versículo tem uma natureza geral. O que Paulo diz até este ponto visa especialmente os mestres cristãos; mas, daqui por diante, todos os crentes estão na sua mira. Todos são repreendidos por causa de qualquer ação que pretenda corromper o templo de Deus, incluindo a desarmonia, a desunião, as facções e o espírito de rivalidade.

 

“…habita…”, isto é, “fixa residência”, com a ideia de permanência e também de intimidade. A comunidade cristã inteira, embora dividida em muitas congregações locais, é encarada aqui como o lugar da habitação ou templo do Espírito Santo. Existe tão-Somente “um templo” do N.T., que é a igreja em todo mundo habitado do Senhor Jesus. Cada congregação local não é um templo entre muitos; mas cada indivíduo é um templo, no sentido de que ele é um lugar específico onde Deus manifesta a sua presença.

 

“…o Espírito de Deus habita em vós?” (1 Co 3.16). Essas palavras constituem uma adição para fortalecer ainda mais o argumento apresentado pelo apóstolo. Os templos pagãos tinham apenas uma «imagem» de algum deus, o qual, na realidade, não tinha existência espiritual, exceto como criação material de algum artista. O templo dos judeus tinha por símbolo a manifestação ocasional da glória da presença de Deus (o shekinah dos israelitas). Mas a comunidade cristã é que se tomara, na verdade, a habitação do Espírito, o que era uma nova maneira de Deus tratar com os homens.

 

Que está palavra de SENHOR seja preciosa em nosso coração: “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus” (1 Co 6.19-20).

 

 

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

João 14.15-18,26

15 Se me amais, guardai os meus mandamentos.

16 E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre;

17 O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós.

18 Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós.

26 Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.

 

 

OBJETIVO GERAL

Mostrar que o Espírito Santo é a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade e que Ele convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo

 

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Prezado professor, nesta lição estudaremos acerca da Terceira Pessoa da Trindade, o Espírito Santo.

Ele não é um fogo, um vento ou uma força, mas Deus.

Uma das provas da sua deidade reside no fato de que Ele possuí atributos divinos.

Sem sua ação teria sido impossível conhecer a Deus e a Jesus Cristo.

Sem Ele jamais teríamos experimentado o novo nascimento e a santificação.

Alguns, erroneamente, acreditam que o Espírito Santo entrou no mundo somente no dia de Pentecostes.

Mas, a Terceira Pessoa da Trindade esteve também presente na criação (Gn 1.26), no ministério de Jesus e dos discípulos.

 

 

 

 

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

 

As Escrituras Sagradas revelam a identidade do Espírito Santo, sua deidade absoluta e sua personalidade, sua consubstancialidade com o Pai e o Filho como Terceira Pessoa da Trindade e suas obras no contexto histórico-salvífico.

Todos esses dados da revelação só foram definidos depois do Concílio de Niceia.

A formulação da doutrina pneumatológica aconteceu tardiamente na história da Igreja, na segunda metade do século IV.

A presente lição pretende explicar e mostrar como tudo isso aconteceu a partir da Bíblia.

 

 

 

 

PONTO CENTRAL

Cremos que o Espírito Santo é a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade.

 

 

 

 

  1. O ESPÍRITO SANTO

 

  1. A revelação divina.

A Bíblia mostra que a revelação divina foi progressiva, como disse um dos pais da Igreja no século IV: “O Antigo Testamento manifestou claramente o Pai e, obscuramente, o Filho. O Novo manifestou o Filho e, obscuramente, indicou a divindade do Espírito Santo. Hoje, o Espírito habita entre nós e se dá mais claramente a conhecer” (Gregório de Nazianzo).

O Senhor Jesus revelou o Pai (Jo 1.18), e o Espírito Santo é quem revela o Filho (Jo 16.14; 1Co 12.3).

 

  1. O esquecimento.

 

Há abundância de detalhes na Bíblia sobre a identidade do Espírito Santo no que diz respeito à sua personalidade e divindade, bem como ao seu relacionamento com o Pai e o Filho.

Ele aparece, literalmente, em toda a Bíblia desde o Gênesis, na criação (Gn 1.2), até o Apocalipse (22.17).

Mas esses dados da revelação precisavam ser definidos, daí a necessidade de formulações teológicas exigidas pela nova realidade cultural em que a Igreja vivia e pelas demais civilizações em que o evangelho havia penetrado.

Essa difícil tarefa levou séculos para ser concluída, e as várias tentativas resultaram também em heresias.

 

 

  1. O Espírito Santo e os primeiros cristãos.

 

À luz do Novo Testamento e comparando com a literatura patrística dos séculos II e III, fica claro que os cristãos da Era Apostólica conheciam mais sobre a identidade do Espírito Santo do que os pais da Igreja do referido período.

A verdadeira identidade do Espírito Santo, com base bíblica, só aconteceu a partir de Atanásio e dos três grandes capadócios.

Antes disso, a conceituação sobre o Espírito Santo era quase sempre inadequada.

 

 

SÍNTESE DO TÓPICO (I)

O Espírito Santo está presente em toda a Bíblia.

 

 

 

SUBSÍDIO DIDÁTICO

 

Reproduza o quadro abaixo e utilize-o para mostrar aos alunos algumas das verdades a respeito do Espírito Santo extraídas do evangelho de João:

 

 

Ele nunca nos deixará (Jo 14.6).
O mundo não pode recebê-lo (Jo 14.7),
Ele vive em nós e conosco (Jo 14.17).
Ele nos ensina (Jo 14,26).
Ele nos lembra as palavras de Jesus (Jo 14.26).
Ele nos convence do pecado, nos mostra a justiça de Deus, e anuncia seu juízo contra o mal (Jo 16,8).
Ele nos guia na verdade, e nos dá conhecimento de eventos futuros (Jo 16.13).
Ele glorifica a Cristo (Jo 16.14).

 

 

 

CONHEÇA MAIS

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Credo Niceno-Constantinopolitano

 

Entre 361-81, a ortodoxia trinitariana passou por mais refinamentos, mormente no tocante ao terceiro membro da Trindade, o Espírito Santo.

Em 381, em Constantinopla, os bispos foram convocados pelo Imperador Teodócio, e as declarações da ortodoxia de Niceia foram reafirmadas.

Além disso, houve menção explícita do Espírito Santo em termos de deidade, como o ‘Senhor e Doador da vida, procedente do Pai e do Filho; o qual, com o Pai e o Filho juntamente é adorado e glorificado; o qual falou pelos profetas.”

Para conhecer mais, leia Teologia Sistemática, uma perspectiva pentecostal, CPAD, p.177.

 

 

 

  1. DIVINDADE DO ESPÍRITO SANTO À LUZ DA BÍBLIA

 

  1. A divindade declarada.

O Espírito Santo é chamado de Senhor nas Escrituras Sagradas: “Ora, o SENHOR é o Espírito” (2 Co 3.17; ARA).

Os nomes “Deus” e “Espírito Santo” aparecem alternadamente na Bíblia: “Por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, e retivesses parte do preço da herdade? […] Não mentiste aos homens, mas a Deus” (At 5.3,4b).

Deus e o Espírito Santo aqui são uma mesma divindade.

O apóstolo Paulo também emprega esse tipo de linguagem: “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1Co 3.16).

Isso vem desde o Antigo Testamento: “O Espírito do SENHOR falou por mim, e a sua palavra esteve em minha boca. Disse o Deus de Israel, a Rocha de Israel a mim me falou” (2 Sm 23.2,3).

É nessa linguagem que a Bíblia diz que o Espírito Santo é Deus.

 

  1. A divindade revelada.

 

O relacionamento do Espírito Santo com o Pai e com o Filho revela a sua divindade e a sua consubstancialidade com Eles.

Isso está claro nas construções tripartidas do Novo Testamento (Mt 28.19, 1Co 12.4-6; 2 Co 13.13; Ef 4.4-6; 1Pe 1.2).

Em relação ao Pai, o Espírito penetra todas as coisas, até mesmo as profundezas de Deus (1Co 2.10,11); é igualmente chamado de “Espírito de Deus” (Gn 1.2) e de “o Espírito que provém de Deus” (1Co 2.12). Concernente ao Filho, Ele é chamado por Jesus de “outro Consolador” (Jo 14.16).

O termo grego para “Consolador” aqui é parácleto, que significa “ajudador, advogado” e é aplicado ao Senhor Jesus como Advogado (1Jo 2.1).

Ele é chamado de “Espírito de Jesus” (At 16.7), “Espírito de Cristo” (Rm 8.9) e ainda “Espírito de seu Filho” (Gl 4.6).

 

 

  1. Obras divinas.

 

A divindade do Espírito Santo é vista não apenas na declaração direta das Escrituras, nem somente pelo relacionamento dEle com o Pai e o Filho, mas também nas obras de Deus.

O Espírito Santo é o Criador do Universo e dos seres humanos (Jó 26.13; 33.4; SI 104.30).

Ele gerou Jesus (Mt 1.20; Lc 1.35) e o ressuscitou dentre os mortos (1Pe 3.18); e ressuscitará os fiéis (Rm 8.11).

Ele é o Senhor da Igreja (At 20.28); autor do novo nascimento (Jo 3.5,6); dá a vida (Ez 37.14), regenera o pecador (Tt 3.5) e distribui os dons espirituais (1Co 12.7-11).

Assim, o Credo Niceno-Constantinopolita-no declara: “E no Espírito Santo, o Senhor e Vivificador, o que procede do Pai e do Filho, o que juntamente com o Pai e o Filho é adorado e glorificado, o que falou por meio dos profetas”.

A confirmação bíblica dessa verdade é abundante (2 Co 3.17; Rm 8.2; Jo 15.26; Fp 3.3; 2 Pe 1.21).

 

 

SÍNTESE DO TÓPICO (II)

Cremos na deidade do Espírito Santo.

 

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

 

O divino Consolador tem pleno poder sobre todas as coisas.

Ele tem poder próprio.

É dEle que flui a vida, em suas dimensões e sentidos bem como o poder de Deus (SI 104.30; Ef 3.16).

Isso é uma evidência da deidade do Espírito Santo.

Ele tem autoridade e poder inerentes, como vemos em toda a Bíblia, máxime em o Novo Testamento.

Em 1 Coríntios 2,4, na única referência (no original) em que aparece o termo traduzido por ‘demonstração do Espírito Santo’, designa-se literalmente uma demonstração operacional, prática e imediata na mente e na vida dos ouvintes do evangelho de Cristo.

E isso ocorre pela poderosa ação persuasiva e convincente do Espírito, cujo efeitos transformadores foram visíveis e incontestáveis na vida dos ouvintes de então, confirmando o evangelho pregado pelo apóstolo Paulo (1Co 2.4,5)”

(GILBERTO, António. Teologia Sistemática Pentecostal. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2008, p. 175).

 

 

 

 

III. OS ATRIBUTOS DA DIVINDADE

 

  1. Alguns atributos incomunicáveis.

 

A divindade do Espírito Santo é revelada também nos seus atributos divinos.

Aqui apresentamos apenas alguns, devido à exiguidade do espaço.

O Espírito é onipotente (Rm 15.19) e a fonte de poder e milagres (Mt 12.28; At 2.4; 1Co 12.9-11).

Ele é onipresente, está em toda parte do Universo (SI 139-7-10); e

É onisciente, pois conhece todas as coisas, desde as profundezas de Deus (1Co 2.10,11), passando pelo coração humano (Ez 11.5), até alcançar as coisas futuras (Lc 2.26; Jo 16.13; 1 Tm 4.1).

Assim a Bíblia ensina que o Espírito Santo é eterno (Hb 9.14).

 

 

  1. Alguns atributos comunicáveis.

 

A santidade de Deus é o atributo mais solenizado nas Escrituras (Is 6.3; Ap 15.4).

O termo “santo” é aplicado ao Espírito como consequência direta de sua natureza e não como resultado de uma fonte externa.

Ele é santo em si mesmo; assim, não precisa ser santificado, pois é Ele quem santifica (Rm 15.16; 1 Co 6.11).

A bondade é outro atributo divino, por isso, Jesus disse: “Ninguém há bom senão um, que é Deus” (Mc 10.18 e passagens paralelas de Mt 19.17; Lc 18.19); no entanto, a Bíblia ensina que o Espírito Santo é bom (Ne 9.20; SI 143.10).

O Espírito é a verdade (1Jo 5.6) e sábio (Is 11.2).

 

 

  1. O Espírito Santo e a Trindade.

 

O Espírito Santo iguala-se ao Pai e ao Filho, tendo também um nome, pois o Senhor Jesus determinou que os seus discípulos batizassem “em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28.19).

Isso significa ser o Espírito Santo objeto de nossa fé, pois em seu nome somos balizados, indicando reconhecimento igual ao do Pai e do Filho.

A expressão “comunhão com o Espírito Santo” (2 Co 13.13) mostra que Ele é não apenas objeto de nossa fé, mas também de nossa oração e adoração.

Há uma absoluta igualdade dentro da Trindade e nenhuma das três Pessoas está sujeita à outra, como se houvesse uma hierarquia na substância divina.

Existe, sim, uma distinção de serviço, e o Espírito Santo representa os interesses do Pai e do Filho na vida da Igreja na terra (Jo 16.13,14).

 

 

 

SÍNTESE DO TÓPICO (III)

O Espírito Santo possui todos os atributos da divindade.

SUBSÍDIO DIDÁTICO

 

O Espírito Santo é Deus

 

O Espírito Santo não é simplesmente uma influência benéfica ou um poder impessoal.

É uma pessoa, assim como Deus e Jesus o são.

O Espírito Santo é chamado Deus e Senhor (At 5.3,4; 2 Co 3.18).

Quando Isaías viu a glória de Deus escreveu: ‘Ouvi a voz do Senhor,… vai e diz a este povo’ (Is 6.8,9).

O apóstolo Paulo citou essa mesma palavra e disse: ‘Bem falou o Espírito Santo a nossos pais pelo profeta Isaías dizendo: Vai a este povo’ (At 28.25,26).

Com isso, Paulo identificou o Espírito Santo com Deus”

(BERGSTÉN, Eurico. Introdução à Teologia Sistemática. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1999, p. 97).

 

Os símbolos do Espírito Santo

 

Os símbolos do Espírito Santo são reflexos das suas múltiplas operações, e de maneira alguma comprometem sua personalidade e divindade.

Em Lucas 3.16, o Espírito Santo é ilustrado como fogo, porque o fogo aquece. Ilumina e se espalha purificando.

Não que ele seja um fogo desprovido de personalidade, pois a Bíblia também chama o Deus-Pai de “fogo consumidor” (Hb 12.29), sem contudo comprometer sua personalidade.

Da mesma forma, com referência à água pois em João 7.37-39 o Espírito Santo é ilustrado como a água.

Assim como a água é indispensável à vida física de qualquer ser vivo, da mesma maneira ela é indispensável à vida do crente.

Ela refresca, refrigera e dá uma sensação de tranquilidade e bem-estar, e é isso que o Espírito Santo realiza na vida do crente.

Assim como é o vento, em João 3.8, representa a ação sobrenatural do Espírito Santo.

Do mesmo modo que é um mistérios a ação do vento aos olhos humanos, é um mistério a obra regeneradora do Espírito Santo.

A pomba, em João 1.32, é o símbolo da mansidão, brandura, simplicidade, pureza, amor, paz, longaminidade, etc (Galátas 5.22).

A expressão “em forma”, em Lucas 3.22, revela que o Espírito Santo desceu sobre Jesus numa aparência ou na figura de uma pomba, e não que ele seja uma pomba.

A palavra grega aqui é eidei, e não morfe, com aparece em Filipenses 2.6, que revela a essência e a natureza da divindade de Cristo.

Eidei significa mera aparência e morfe significa a sua própria natureza e essência.

(SOARES, Esquias. Como Responder às Testemunhas de Jeová – Comentário Exegético e Explicativo – Vol. 1 – Editora Candeia – pag. 256-257)

 

 

 

 

IV-PERSONALIDADE DO ESPÍRITO SANTO

 

  1. As faculdades da personalidade.

A personalidade do Espírito Santo está presente em toda a Bíblia de maneira abundante e inconfundível e tem sido crença da Igreja desde o princípio.

Há nEle elementos constitutivos da personalidade, tais como intelecto, pois Ele penetra todas as coisas (1Co 2.10,11) e inteligência (Rm 8.27).

Ele tem emoção, sensibilidade (Rm 15.30; Ef 4.30) e também possui vontade (At 16.7; 1Co 12.11). As três faculdades intelecto, emoção e vontade caracterizam a personalidade.

 

  1. Reações do Espírito Santo.

Outra prova da personalidade do Espírito Santo é que Ele reage a certos atos praticados pelo ser humano.

Pedro obedeceu ao Espírito Santo (At 10.19,21);

Ananias mentiu ao Espírito Santo (At 5.3);

Estêvão disse que os judeus sempre resistiram ao Espírito Santo (At 7.51);

Paulo nos recomenda não entristecer o Espírito Santo (Ef 4.30);

Os fariseus blasfemaram contra o Espírito Santo (Mt 12.29-31);

Os cristãos são batizados em nome do Espírito Santo (Mt 28.19).

 

 

3.- Atributos pessoais do Espírito Santo

 

a) o Espírito Santo ensina (Jo 14.26);

b) o Espírito Santo fala (Ap 2.7, 11, 17);

c) o Espírito Santo testifica (Jo 15.26; Rm 8.16).

d) o Espírito Santo guia (Rm 8.14; Gl 5.18);

e) o Espírito Santo clama (Gl 4.6);

f) o Espírito Santo convence (Jo 16.7, 8);

g) o Espírito Santo regenera (Jo 3.6; Tt 3.5);

h) o Espírito Santo escolhe obreiros (At 13.2; 20.28);

i) o Espírito Santo julga (At 15.28);

j) o Espírito Santo advoga (Jo 14.16; At 5.32);

k) o Espírito Santo envia missionários (At 13.2-4);

l) o Espírito Santo convida (Ap 22.17);

m) o Espírito Santo intercede (Rm 8.26);

n) o Espírito Santo impede (At 16.6-7);

o) o Espírito Santo entristece (Ef 4.30);

p) o Espírito Santo contende (Gn 6.3).

 

 

 

 

SÍNTESE DO TÓPICO IV

O Espírito Santo possui personalidade.

SUBSÍDIO APOLOGÉTICO

 

 

O Espírito Santo e as Testemunhas de Jeová

 

As TJs negam a divindade e a personalidade do EspíritoSanto.

Ensinam que: “Quanto ao ‘Espírito Santo, a suposta terceira Pessoa da Trindade, já vimos que não se trata de uma pessoa, mas da força ativa de Deus” (Poderá Viver… p. 40 – STV).

Depois da referida declaração, procura justifica-la com dois argumentos, que refutaremos à luz da Bíblia.

 

1º.- Argumento das TJS: “Como pode ser o Espírito Santo uma pessoa e ser alguém cheio dele?”

 

As TJs fazem a seguinte exposição: “João, o Batizador, disse que Jesus batizava com espírito santo, assim como João batizava em águas. Portanto, assim como água não é pessoa, tampouco o espírito santo é pessoa”.

Acrescenta ainda que a Bíblia fala de pessoas que foram “cheias do Espírito Santo”, de pessoas que foram “ungidas” pelo Espírito Santo.

Então questionam as TJs: “Como pode ser o Espírito Santo uma pessoa? Como pode uma pessoa ou um grupo de pessoas ser cheio de uma pessoa?”.

Com essas conclusões nega ser o Espírito Santo uma pessoa e simultaneamente a sua divindade.

 

Resposta Apologética:

 

As TJs confundem personalidade com corporalidade.

Personalidade, não é corporalidade, a própria tradução da Bíblia das TJs declara: “Mas Satanás entrou em Judas, o chamado Iscariotes” (Lc 22.3), agora perguntamos as TJs: “Como pode uma pessoa entrar em outra?”.

Pode, porque estamos falando de pessoas espirituais.

Fica claro que as TJs confundem o significado de personalidade, com corporalidade.

Deus é pessoal, mas não tem corpo material: “Deus é espírito” (Jo 4.24).

A comparação entre o batismo no Espírito Santo e o batismo nas águas, é completamente inconsistente e falacioso, uma vez que o batismo nas águas representa imersão nelas, significando nova vida com Cristo (Rm 6.4-5), e o batismo no Espírito Santo significa ser alguém revestido dele.

Em 1 Co 10.2 lemos que o povo de Israel foi batizado em Moisés: “E todos foram batizados em Moisés,…”, então as TJs deveriam também negar a personalidade de Moisés.

Como pode um povo ser batizado em Moisés?

O fato de alguém estar cheio do Espírito Santo ou revestido dele, não quer dizer que ele seja impessoal.

Para esses mesmos argumentos das TJs nós temos a resposta com outra pergunta: “Como pode ser Jesus uma pessoa e ser alguém morada dele?

Disse Jesus: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada” (Jo 14.23).

O apóstolo Paulo disse: “Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós” (Gl 4.19).

Como pode Jesus ser formado em alguém, sendo ele uma pessoa?

Paulo disse: “Cristo vive em mim” (Gl 14.23).

Como as TJs explicam esse fenômeno?

Serás que as TJs negam também a personalidade de Moisés, do Senhor Jesus Cristo, como querem fazer com o Espírito Santo? Claro que não.

Por que pois negam a personalidade do Espírito Santo, utilizando-se do mesmo argumento?

Aí está o artifício das TJs: Usa dois pesos e duas medidas, sem a preocupação de ensinar a Bíblia, mas de impor crenças peculiares.

 

 

2º.- Argumento das TJs: Personalizar não prova personalidade.

 

As TJS citam Pv 1.20-23; Mt 11.19 e Lc 7.35, querendo provar que a sabedoria personificada não é uma pessoa.

 

Resposta Apologética:

 

Os “filhos da Sabedoria” é uma expressão hebraísta que diz respeito aos efeitos ou às obras da sabedoria.

A Bíblia não personaliza o Espírito Santo, pois não há necessidade disso, por ser ele uma pessoa.

Em nenhum lugar da Bíblia diz que a sabedoria é uma pessoa, nem apresenta atributos pessoais e divinos. É o contrário do Espírito Santo.

Esse argumento, das TJs e tão frágil que só pode convencer aqueles que são privados da leitura livre da Bíblia.

 

3º.- Argumento das TJs: O Espírito Santo não tem identificação pessoal.

 

As TJs ensinam que o Espírito Santo não tem identidade pessoal porque tal expressão ocorre 21 vezes no Novo Testamento sem o artigo.

 

 

Resposta Apologética:

 

O artigo grego aponta o objeto ou chama a atenção para ele, e que a sua ausência pode ou não indicar indefinição.

O nome de Jesus ocorre mais de 900 vezes no Novo Testamento e aparece cerca de 350 vezes sem o artigo, e nem por isso Jesus deixa de ter identidade.

Além do mais, 73 vezes o Espírito Santo aparece com o artigo definido.

São fatos que demonstram a desonestidade teológica da Sociedade Torre de Vigia das Testemunhas de Jeová.

(SOARES, Esquias. Como Responder às Testemunhas de Jeová – Comentário Exegético e Explicativo – Vol. 1 – Editora Candeia – pag. 249-251)

 

 

 

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

 

“É difícil sugerir que um dos títulos ou propósitos do Espírito Santo seja mais importante que outro.

Tudo o que o Espírito Santo faz é vital para o Reino de Deus.

Há, no entanto, um propósito, uma função essencial do Espírito Santo, sem a qual tudo que se tem dito a respeito dEle até agora não passa de palavras vazias: o Espírito Santo é o penhor que garante a nossa futura herança em Cristo: ‘Em quem [Cristo] também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa; o qual é o senhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus, para louvor da sua glória’ (Ef 1.13,14)”

(HQRTON, Stanley. Teologia Sistemática: Uma perspectiva pentecostal 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1996, p. 401).

 

 

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

A frase que se refere ao Espírito Santo como “terceira Pessoa da Trindade” se deve ao fato de seu nome aparecer depois do Pai e do Filho na fórmula batismal.

Não se trata, pois, de hierarquia intratrinitariana, porque o Pai, o Filho e o Espírito Santo são um só Deus que subsiste em três Pessoas distintas.

 

 

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Comentários

  1. Isis disse:

    Muito bom! Que o Espírito Santo continue lhe inspirando para que sejamos abençoados.
    Aprendi muito.

    1. Prof. Alberto disse:

      A Paz do SENHOR Isis, muito obrigado por sua linda mensagem. Que o SENHOR continue abençoando sua vida. Abraços,

  2. Naber de Mesquita disse:

    Muito esclarecedor e edificante.Que Deus continue lhe abençoando e lhe usando abundantemente nesse ministério tão relevante !!!

    * Como entusiasta e ávido aprendiz, gostaria de pedir , se possível for , o aprimoramento da fonte do texto em uma fonte mais nítida. GRATÍSSIMO!

    1. Prof. Alberto disse:

      A Paz do SENHOR irmão Naber muito obrigado por sua oportuna observação. Que o SENHOR continue abençoando ricamente sua vida. Abraços,

  3. DALVA DANTAS DA SILVA disse:

    Deus seja louvado, em tudo o que o senhor vier fazer para o Senhor Jesus. Para o engrandecimento de sua obra.
    Deus o abençoe Professor Alberto, também sua família.
    Obrigado ,tens sido de grande ajuda .
    Dalva Dantas.
    Cárceres MT.

    1. Prof. Alberto disse:

      A Paz do SENHOR irmã Dalva, muito obrigado pelas lindas palavras de incentivo e apoio. Que o SENHOR continue abençoando sua vida. Um grande abraço aos amados irmãos de Cárceres-MT.

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