EBD – Lição 05 – Jacó, Um Exemplo de Caráter Restaurado

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LIÇÃO 05

JACÓ, UM EXEMPLO DE CARÁTER RESTAURADO

30 de abril de 2017

Professor Alberto

 

TEXTO ÁUREO

“Como está escrito: Amei Jacó e aborreci Esaú” (Rm 9.13).

 

VERDADE PRÁTICA

Com base em sua presciência e propósitos, Deus escolhe pessoas para que cumpram seus desígnios.

COMENTÁRIO DO TEXTO ÁUREO

 

“Como está escrito: Amei Jacó e aborreci Esaú” (Rm 9.13).

O contexto do nosso texto áureo está no capítulo 9 da Epístola de Paulo aos Romanos. Porém para entender Romanos 9, é necessário ler todo o capítulo juntamente com Romanos 10 e 11, para conhecer melhor todo o contexto, é necessário ler a Carta de Paulo aos Romanos inteira.

O contexto geral é a chave para compreendermos esta passagem. Infelizmente cristãos calvinistas preferem citar apenas Romanos 9.10-24, incluso o nosso texto áureo (Rm 9.13), porque essa é a parte que mais parece calvinista quando lida de modo isolado.

Romanos 9.10-24 não deveria ser lido sem o entendimento de todo o contexto e sem a questão que Paulo está levantando. Senão vejamos:

Contexto Geral:

1.- Israel confiava em sua etnia como descendente de Abraão;

2.- Eles pensavam que, por serem filhos de Abraão segundo a carne, eram consequentemente salvos.

3.- Paulo usa Jacó (Israel) e Esaú (Edom) para demonstrar que a etnia não é garantia de benção.

4.- Paulo dá o exemplo de que tanto Isaque quanto Jacó foram escolhidos para serem abençoados ao invés de Ismael e Esaú, embora todos eles fossem filhos de Abraão e embora Ismael e Esaú fossem filhos primogênitos.

5.- Ainda que fossem abençoados por serem descendentes de Jacó, os judeus eram salvos do mesmo modo que os gentios – pela fé em Jesus.

6.- Apesar de os judeus serem descendentes de Abraão segundo a carne (assim como Ismael e Esaú), eles ainda devem crer em Jesus para serem salvos (Romanos 10:11-13). Este é o argumento de Paulo.

O apóstolo Paulo declara que ele está falando sobre a nação de Israel na introdução do capítulo 9: “Em Cristo digo a verdade, não minto (dando-me testemunho a minha consciência no Espírito Santo): tenho grande tristeza e contínua angústia em meu coração. Porque eu mesmo poderia desejar ser separado de Cristo, por amor de meus irmãos, que são meus parentes segundo a carne; que são israelitas, dos quais é a adoção de filhos, e a glória, e os concertos, e a lei, e o culto, e as promessas; dos quais são os pais, e dos quais é Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito eternamente. Amém!” (Rm 9.1-5).

O apóstolo Paulo nos lembra novamente que ele está escrevendo sobre a nação de Israel no final do capítulo 9: “Que diremos, pois? Que os gentios, que não buscavam a justiça, alcançaram a justiça? Sim, mas a justiça que é pela fé. Mas Israel, que buscava a lei da justiça, não chegou à lei da justiça. Por quê? Porque não foi pela fé, mas como que pelas obras da lei. Tropeçaram na pedra de tropeço, como está escrito: Eis que eu ponho em Sião uma pedra de tropeço e uma rocha de escândalo e todo aquele que crer nela não será confundido” (Rm 9.30-33).

A nação de Israel está sempre em foco em Romanos 9, 10 e 11. Nunca o texto é sobre eleição de indivíduos, mas sim coletiva, de nação. Por isso é tão importante ler toda a epístola de Romanos.

Mas mesmo que fizermos uma leitura superficial de Romanos 9, os textos do Antigo Testamento que Paulo usa para sua argumentação, demonstram que Paulo ainda está no assunto da nação de Israel, e está se referindo ao direito de Deus de usar Israel como lhe apraz. Os versículos parecem se referir a indivíduos numa leitura descuidada (Jacó, Esaú e Faraó), porém as referências do Antigo Testamento indicam que os indivíduos são, na verdade, representações corporativas de suas nações.

Por exemplo:

Gêneses 25:23: Disse-lhe o Senhor: “Duas nações estão em seu ventre, já desde as suas entranhas dois povos se separarão; um deles será mais forte que o outro, mas o mais velho servirá ao mais novo.” (citado em Romanos 9:11-12)

Malaquias 1:1-5: “A palavra do Senhor a Israel, por intermédio de Malaquias. Eu vos tenho amado, diz o Senhor. Mas vós dizeis: Em que nos tens amado? Acaso não era Esaú irmão de Jacó? diz o Senhor; todavia amei a Jacó, e aborreci a Esaú; e fiz dos seus montes uma desolação, e dei a sua herança aos chacais do deserto. Ainda que Edom diga: Arruinados estamos, porém tornaremos e edificaremos as ruínas; assim diz o Senhor dos exércitos: Eles edificarão, eu, porém, demolirei; e lhes chamarão: Termo de impiedade, e povo contra quem o Senhor está irado para sempre. E os vossos olhos o verão, e direis: Engrandecido é o Senhor ainda além dos termos de Israel”. (citado em Romanos 9:13 – nosso texto áureo)

Jeremias 18:1-10: “Esta é a palavra que veio a Jeremias da parte do Senhor: “Vá à casa do oleiro, e ali você ouvirá a minha mensagem”. Então fui à casa do oleiro, e o vi trabalhando com a roda. Mas o vaso de barro que ele estava formando estragou-se em suas mãos; e ele o refez, moldan­do outro vaso de acordo com a sua vontade. Então o Senhor dirigiu-me a palavra: “Ó comunidade de Israel, será que eu não posso agir com vocês como fez o oleiro?”, pergunta o Senhor. “Como barro nas mãos do oleiro, assim são vocês nas minhas mãos, ó comunidade de Israel. Se em algum momento eu decretar que uma nação ou um reino seja arrancado, despeda­çado e arruinado, e se essa nação que eu adverti converter-se da sua perversidade, então eu me arrependerei e não trarei sobre ela a desgraça que eu tinha planejado. E, se noutra ocasião eu decretar que uma nação ou um reino seja edifica­do e plantado, e se ele fizer o que eu reprovo e não me obedecer, então me arrependerei do bem que eu pretendia fazer em favor dele”. (referido em Romanos 9:21)

É importante perceber que na passagem de Jeremias, Deus (o Oleiro) não decreta o que a nação fará, antes, ele primeiro observa o que a nação faz e então a molda posteriormente, em resultado do comportamento corporativo. Isso é o oposto de uma “eleição individual incondicional”. Deus muda de ideia de como lidar com uma nação levando em conta se esta o está seguindo ou não. Isto é particularmente relevante para o argumento de Paulo em Romanos 9. Israel não estava seguindo a Deus como fora revelado em Cristo, e por isso, Deus (o Oleiro) vai tratá-los como é devido.

Outra coisa que requer atenção é a expressão hebraica “aborreci” (usado em Romanos 9:13 e Malaquias 1:3 – “Amei a Jacó e aborreci a Esaú…” – nosso texto áureo). Essa expressão significa amar menos uma pessoa em comparação a outra. Assim como temos expressões idiomáticas (por exemplo: “está chovendo a cântaros”), também tinham os hebreus. Essa expressão não significa que Deus incondicionalmente desprezou e condenou a Esaú e todos os seus descendentes. Significa que Ele preferiu a nação de Jacó à de Esaú, e escolheu os filhos de Jacó para a honra especial de serem da linhagem da qual viria o Messias.

Jesus usa exatamente a mesma expressão quando diz, “Se alguém vier a mim, e não aborrecer a pai e mãe (…)” (Lucas 14:26). Ele não está dizendo que você deve desprezar seus pais: isso seria quebrar um mandamento! Ele está dizendo que em comparação com nosso amor a Deus, o amor aos nossos pais deveria ser muito menor. O mesmo acontece com Jacó e Esaú. Deus amava a ambos, bem como a seus descendentes. Contudo, Ele tinha afeição especial por Jacó e seus descendentes, e, por causa de Seu propósito de salvar o mundo, escolheu os de Jacó aos de Esaú.

No caso do Faraó, Paulo se vale dele como uma analogia para mostrar como Deus pode tratar da nação de Israel justamente, mesmo que Ele tenha que “endurecê-los” nesse processo. Assim como Deus endureceu a Faraó para Seus propósitos (depois de demasiado mau comportamento do Faraó), ele tem o direito de endurecer a nação de Israel para Seus propósitos; e vemos pela passagem de Jeremias que o endurecimento vem como uma resposta de Deus; e não como Sua primeira preferência. Significativamente, não foi a primeira preferência de Deus condenar a Faraó eternamente; Deus o tratou justamente, e quis que ele fosse salvo.

Seja qual for o sentido de Romanos 9, ele não pode dizer que Deus é um mentiroso e não pode contradizer o sentido claro de outras passagens da Escritura. Se Deus é amor (1 João 4:8), então não podemos usar Romanos 9 para provar que Deus seja ódio. Esta foi a observação feita por John Wesley. Obviamente, os calvinistas não alegam que Deus odeie ou minta, mas, pelo que vemos, a linha de raciocínio deles só pode levar a essa conclusão.

Tipicamente, quando você perguntar a um calvinista sobre a bondade de Deus em Romanos 9, ou ele se atrapalhará ou irá considerar sua interpretação do texto como um “por que replicas a Deus?” (Romanos 9:20). Segue aqui o que Wesley escreveu sobre essa questão:

“Esta é a blasfêmia claramente contida no terrível decreto da predestinação! E aqui fixo os meus pés. Nesse caso me oponho a todo defensor dela. Você representa a Deus pior do que um demônio, mais falso, mais cruel, mais injusto. Porém, você diz que provará isto nas Escrituras. Espere! O que provará nas Escrituras? Que Deus é pior que o demônio? Não pode ser. Seja o que for que as Escrituras provem, nunca poderão provar isso. O que quer que seja, este não poderá ser seu verdadeiro significado. Você pergunta: “Qual é o seu significado então?”. Se eu disser “não sei”, você não ganhou nada, porquanto há muitas passagens nas Escrituras das quais nunca saberemos seu significado até que a morte seja tragada pela vitória. Mas disso sei: melhor fora dizer que não há significado, do que sustentar um significado como esse. Não pode significar, seja o que for, que o Deus da verdade é um mentiroso. Não pode significar que o Juiz de todo o mundo é injusto. Nada na Escritura pode dizer que Deus não é amor ou que Sua misericórdia não está sobre todas as Suas obras. Ou seja, o que quer que prove além disso, nada na Escritura poderá provar a predestinação [incondicional]” (John Wesley, Sermão 128, Graça Livre)

John Wesley está certo. O que quer que seja a compreensão de Romanos 9, ele não pode declarar que o Deus da verdade seja um mentiroso.

 

“Como está escrito…” – Com essa declaração, o apóstolo Paulo, inicia os principais argumentos deste capítulo, deixando claro que a doutrina cristã não é uma invenção humana e separada das Sagradas Escrituras, pelo contrário, ela concorda perfeitamente com os ensinamentos do Antigo Testamento.

Os versículos antecedentes 7 ao 9, apresentam essa harmonia entre a teologia cristã e o Antigo Testamento, e o apóstolo Paulo apresenta essa unidade bíblica, citando várias passagens do Antigo Testamento.

A expressão “…está escrito…”, quer dizer “está de acordo com as Sagradas Escrituras do Antigo Testamento”, assim, essa expressão: “…está escrito…”, ocorre por dezessete vezes na epístola de Paulo aos Romanos, mostrando assim, que a doutrina cristã está em perfeita harmonia com o Antigo Testamento.

Portanto, os apóstolos defendiam o tema da continuação da revelação do Antigo no Novo Testamento. Assim o Senhor Jesus é 0 Messias prometido no Antigo Testamento, que é a base e fundamento no Novo Testamento: “E, começando por Moisés e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras” (Lc 24.27); “E envie ele a Jesus Cristo, que já dantes vos foi pregado. O qual convém que o céu contenha até aos tempos da restauração de tudo, dos quais Deus falou pela boca de todos os seus santos profetas, desde o princípio. Porque Moisés disse aos pais: O Senhor vosso Deus levantará de entre vossos irmãos um profeta semelhante a mim; a ele ouvireis em tudo quanto vos disser. E acontecerá que toda a alma que não escutar esse profeta será exterminada dentre o povo. Sim, e todos os profetas, desde Samuel, todos quantos depois falaram, também predisseram estes dias” (Atos 3.20-24).

 

“… Amei Jacó e aborreci Esaú” (Rm 9.13), essa citação se baseia no trecho do Profeta Malaquias 1.2-3: “Eu vos tenho amado, diz o Senhor. Mas vós dizeis: Em que nos tens amado? Não era Esaú irmão de Jacó? disse o Senhor; todavia amei a Jacó, E odiei a Esaú; e fiz dos seus montes uma desolação, e dei a sua herança aos chacais do deserto”. O Senhor está falando com quem? Com quem está Ele dialogando? a resposta é, com o povo de Israel, senão vejamos o versículo 1: “Peso da palavra do SENHOR contra Israel, pelo ministério de Malaquias” (Ml 1.1).

O trecho de Malaquias 1.4 fala dos edomitas : “Ainda que Edom diga: Empobrecido somos, porém tornaremos a edificar os lugares desertos, assim diz o SENHOR dos Exércitos: Ele edificação, e eu destruirei, e lhes chamarão Termo-de-Impiedade, e Povo-Contra-Quem-O-SENHOR-Está-Irado-Para-Sempre”, não se trata, portanto, de eleição de indivíduos, ou eleição individual, mas de nações ou povo: “E o Senhor lhe disse: Duas nações há no teu ventre, e dois povos se dividirão das tuas entranhas, e um povo será mais forte do que o outro povo, e o maior servirá ao menor. E cumprindo-se os seus dias para dar à luz, eis gêmeos no seu ventre. E saiu o primeiro ruivo e todo como um vestido de pêlo; por isso chamaram o seu nome Esaú. E depois saiu o seu irmão, agarrada sua mão ao calcanhar de Esaú; por isso se chamou o seu nome Jacó” (Gênesis 25.23-26).

A citação da profecia de Malaquias pelo apóstolo Paulo demonstra que ele está focando na escolha das nações e não de indivíduo, bastaria fazer outros contrastes com o AntigoTestamento para esclarecer isso, como acima já foi exposto.

O ato divino da soberania de Deus em escolher o Povo de Israel, ou seja, Jacó, foi um ato de pura graça, não estando condicionado aos méritos dos israelitas e nem ao fracasso moral dos edomitas (Esaú). Assim a atitude profana de Esaú (Edom) foi 0 motivo paralelo, mas não a causa da escolha divina dos israelitas (Jacó). A razão dessa escolha só pode ser encontrada na presciência de Deus: “O Senhor não tomou prazer em vós, nem vos escolheu, porque a vossa multidão era mais do que a de todos os outros povos, pois vós éreis menos em número do que todos os povos; Mas, porque o Senhor vos amava, e para guardar o juramento que fizera a vossos pais, …” (Dt 7.7-8).

Não podemos perder de vista o principal elemento dessa questão, que está no versículo seis deste capítulo e da declaração ali escrita: “Não que a palavra de Deus haja faltado, porque nem todos os que são de Israel são israelitas” (Rm 9.6). O santo propósito do ETERNO não falhou, embora a maioria do povo de Israel não tenha aceitado ao Senhor Jesus como seu Messias, a Palavra de Deus declara: “Assim que, quanto ao evangelho, são inimigos por causa de vós; mas, quanto à eleição, amados por causa dos pais. Porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento” (Rm 11.28-29). “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome;” (Jo 1.11-12). “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens, Ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, e justa, e piamente, Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo; O qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniqüidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras” (Tt 2.11-14).

 

Bibliografia:

http://www.arminianismo.com/index.php/categorias/diversos/artigos/103-kevin-jackson/957-kevin-jackson-principios-arminianos-para-a-interpretacao-de-romanos-9 (adaptado);

http://personaret.blogspot.com.br/2017/02/uma-explicacao-da-presciencia-simples.html

http://wesleyanarminian.wordpress.com/2011/03/09/the-hardening-of-pharaohs-heart/

http://evangelicalarminians.org/arminian-principles-for-interpreting-romans-9/

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Gênesis 25.28-34; 32.24,28,30

28 E amava Isaque a Esaú, porque a caça era de seu gosto, mas Rebeca amava a Jacó.

29 E Jacó cozera um guisado; e veio Esaú do campo, e estava ele cansado;

30 E disse Esaú a Jacó: Deixa-me, peço-te, comer desse guisado vermelho, porque estou cansado. Por isso se chamou Edom.

31 Então disse Jacó: Vende-me hoje a tua primogenitura.

32 E disse Esaú: Eis que estou a ponto de morrer; para que me servirá a primogenitura?

33 Então disse Jacó: Jura-me hoje. E jurou-lhe e vendeu a sua primogenitura a Jacó.

34 E Jacó deu pão a Esaú e o guisado de lentilhas; e ele comeu, e bebeu, e levantou-se, e saiu. Assim desprezou Esaú a sua primogenitura.

Gênesis 32.24,28,30

24 Jacó, porém, ficou só; e lutou com ele um homem, até que a alva subiu.

27 E disse-lhe: Qual é o teu nome? E ele disse: Jacó.

28 Então disse: Não te chamarás mais Jacó, mas Israel; pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens, e prevaleceste.

30 E chamou Jacó o nome daquele lugar Peniel, porque dizia: Tenho visto a Deus face a face, e a minha alma foi salva.

 

 

OBJETIVO GERAL

 

Mostrar que Deus chama pessoas para que cumpram seus desígnios.

 

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

 

I. Apresentar a origem de Jacó;

II. Mostrar a direção de Deus na vida de Jacó;

III. Refletir a respeito de alguns aspectos do caráter de Jacó.

 

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

 

Na lição deste domingo, estudaremos a respeito do caráter de Jacó.

Ele nasceu agarrado ao calcanhar de seu irmão primogénito e recebeu o nome de “enganador”.

Todavia, Deus em sua presciência revela aos seus pais que o primogénito serviria ao caçula.

Jacó fez jus ao seu nome ao comprar a primogenitura de seu irmão e ao mentir e enganar seu pai.

Seu engano e mentira levaram-no para longe de casa e fez com que ele também fosse enganado por seu tio Labão.

Mas Jacó teve um encontro com Deus e foi transformado por Ele.

Todo encontro com Deus é transformador.

Ninguém sai da presença do Pai da mesma maneira que entrou.

Atualmente, muitos apenas ouviram falar a respeito de Deus, mas na verdade nunca tiveram um encontro real e pessoal com Ele.

Somente Deus, o Criador, pode transformar o nosso verdadeiro “eu”.

 

COMENTÁRIO

 

INTRODUÇÃO

 

Isaque teve dois filhos gêmeos.

Esaú tinha uma inclinação para o campo, para vida pastoril e também para a caça.

Jacó, ao contrário, pelo seu temperamento e por sua personalidade, voltou- se para vida doméstica.

Logo revelou ter um caráter oportunista e usurpador, que o levou a enganar o pai com apoio da mãe.

As consequências foram duras em sua vida.

O que plantou, colheu com grande sofrimento.

Mas a misericórdia de Deus o alcançou e o Senhor o chamou para ser o pai das doze tribos de Israel.

 

PONTO CENTRAL

Deus chama pessoas para que cumpram seus desígnios.

I. QUEM ERA JACÓ

 

  1. O filho mais novo de Isaque.

Seu nome, em hebraico, é Yakoov e significa “Deus protege”.

Ele integra a lista dos três patriarcas hebreus, que marcaram a história de Israel: Abraão, Isaque e Jacó.

Sua história foi pontilhada de episódios dramáticos desde o seu nascimento.

Deus ouviu as orações de Isaque, pois Rebeca era estéril (Gn 25.21).

O texto diz que, no ventre, havia uma luta entre os bebés (Gn 25.22).

Jacó nasceu agarrado ao calcanhar do seu irmão.

Diante disso, o seu nome passou a ter o significado de “aquele que segura pelo calcanhar” ou “suplantador”.

 

  1. O preferido de sua mãe.

Isaque tinha preferência por Esaú, por que gostava da caça.

Mas Rebeca amava mais Jacó, por ser “varão simples, habitando em tendas” (Gn 25.27,28).

Quando Isaque quis dar a bênção a Esaú, o primogénito (Gn 27.1-5), Rebeca, numa demonstração clara do seu caráter astucioso, chamou Jacó e o induziu a enganar seu pai (Gn 27.11,12,14,15).

Enganado, Isaque abençoou Jacó (Gn 27.27-29).

Ao retornar da caça, Esaú descobriu que seu irmão tomara sua bênção.

Desesperado, recebeu do pai uma bênção menor (Gn 27.39,40).

Cheio de ódio, planejou matar seu irmão (Gn 27.41).

Jacó teve que fugir ameaçado por Esaú.

Isaque percebeu que Deus tinha um plano na vida de Jacó, e o despediu com uma bênção profética de grande significado (Gn 28.1-4).

 

  1. A escolha de Deus pela nação de Israel

Jacó foi escolhido pela presciência divina em face aos desígnios de Deus em eleger o povo de Israel para abençoar a todos os povos.

Deus não tem filhos privilegiados, nem escolhe uns para a salvação e outros para a condenação, pois tal atitude contrariaria frontalmente o seu caráter santo, justo e bom.

Seria uma terrível discriminação por parte de Deus que condena quem faz acepção de pessoas (Tg 2.9; Pe 1.17).

Ele escolhe coletivamente, como o povo de Israel, para serem instrumentos de sua vontade diretiva.

O ato divino da soberania de Deus em escolher o Povo de Israel, ou seja, Jacó, foi um ato de pura graça.

A razão dessa escolha se encontra na presciência de Deus: “O Senhor não tomou prazer em vós, nem vos escolheu, porque a vossa multidão era mais do que a de todos os outros povos, pois vós éreis menos em número do que todos os povos; Mas, porque o Senhor vos amava, e para guardar o juramento que fizera a vossos pais, …” (Dt 7.7-8).

 

SÍNTESE DO TÓPICO (I)

Jacó foi chamado por Deus para ser pai de uma grande nação

 

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

 

“Abraão, Isaque e Jacó estão entre as mais importantes pessoas do Antigo Testamento.

Isto não se deve ao seu caráter pessoal, mas ao caráter de Deus.

Eles foram homens que conquistaram o respeito relutante e até mesmo o medo de seus colegas.

Eram ricos e poderosos, e ainda assim, os três foram capazes de mentir, enganar e agir com egoísmo.

Eles não eram os heróis perfeitos que poderíamos ter esperado; em vez disso, eram exatamente como nós; tentavam agradar a Deus, mas não conseguiram.”

(Bíblia de Estudo Cronológica Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, p. 56).

 

CONHEÇA MAIS

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Jacó

“Era o terceiro no plano de Deus para iniciar uma nação descendente de Abraão.

O sucesso deste plano se deu mais ‘apesar de’ do que ‘em razão da vida de Jacó.

Antes de Jacó nascer, Deus prometera que seu plano se desenvolveria através dele, e não de seu irmão gémeo, Esaú.

Embora os métodos de Jacó nem sempre fossem respeitáveis, suas habilidades, determinação e paciência tinham de ser reconhecidas.

Ao acompanharmos sua vida desde o nascimento até à morte, vemos a mão de Deus trabalhando.” Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, CPAD, p. 46.

 

II. A DIREÇÃO DE DEUS NA VIDA DE JACÓ

 

  1. A visão da escada que tocava o céu.

Em sua fuga, no meio do deserto, Jacó teve um sonho dado por Deus.

Ele viu uma escada posta na terra, cujo topo tocava nos céus, e os anjos de Deus subiam e desciam por ela.

E Deus reiterou a bênção que lhe prometera (Gn 28.13-15).

Deus não aprovou seus arranjos e enganos, mas também não retirou a bênção prometida a seus pais.

Naquela noite, ele descobriu a presença de Deus, que se apresentou como o Deus de Abraão e de Isaque.

Ele ouviu Deus reiterar suas promessas e descobriu que onde Deus está, ali é sua casa, “a porta dos céus” (Gn 28.13-17).

 

  1. A coluna em Betei.

Jacó não buscou a Deus, mas Deus o buscou, e se revelou como o Deus de seus pais.

Uma prova do quanto a graça de Deus é profunda.

Sem dúvida alguma, a história de Jacó se divide em dois períodos.

Antes de Deus encontrá-lo e depois daquele encontro especial.

Tão impactante na sua vida foi aquele episódio, que ele chamou aquele lugar deserto de Betei, que significa “Casa de Deus”.

Ali, naquela madrugada, Jacó ouviu Deus lhe falar; sentiu a presença divina e teve uma mudança extraordinária em sua vida.

 

SÍNTESE DO TÓPICO (II)

 

Depois de deixar a casa dos seus pais, Jacó buscou a direção de Deus para sua vida.

 

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

 

“Jacó fazia tudo, o certo e o errado, com grande zelo.

Ele enganou seu próprio irmão Esaú, e seu pai, Isaque. Ele lutou com Deus, e trabalhou catorze anos para se casar com a mulher que amava.

Por intermédio de Jacó, aprendemos como um forte líder pode, também, ser um servo.

Também vemos como ações erradas sempre voltam para nos perturbar.

Depois de enganar Esaú, Jacó correu para salvar sua vida, viajando mais de 640 quilómetros até Harã, onde vivia seu tio, Labão.

Pelo caminho, ele recebeu uma mensagem do Senhor, em um sonho, e deu a esse lugar o nome de Betei. Em Harã, Jacó se casou e iniciou uma família”

(Extraído de Bíblia de Estudo Cronológica Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, p, 58).

Rota feita por Jacó até Padã-Ara.

 

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III. ASPECTOS DO CARÁTER DE JACÓ

 

  1. Antes do seu encontro com Deus.

Até o encontro com Deus em Betei, ele era apenas um “homem natural”, ou carnal (1Co 2.14).

Naquela fase de sua vida, podemos ver alguns aspectos negativos de seu caráter.

 

  1. a) Oportunista e egoísta.

Quando seu irmão chegou com fome e lhe pediu para comer do seu guisado, ele poderia ter-lhe oferecido de sua comida, compartilhando sua refeição.

Mas, numa prova de oportunismo e ambição, disse logo: “Vende-me hoje a tua primogenitura” (Gn 25.31).

 

  1. b) Interesseiro e calculista.

Jacó era frio, calculista e de temperamento fleumático.

Além de propor a troca da primogenitura ao irmão, exigiu que Esaú fizesse um juramento que lhe garantisse que a troca seria respeitada por toda a vida: “Então, disse Jacó: Jura-me hoje. E jurou-lhe e vendeu a sua primogenitura a Jacó” (Gn 25.33; Hb 12.16).

Ele só esquecia uma coisa.

O que ele estava plantando em sua juventude haveria de colher mais tarde (Cl 6.7).

Em proporção muito maior.

 

  1. c) Mentiroso e enganador.

Com seu caráter fraco e leniente, concordou com a sua mãe em enganar o velho pai.

Ao chegar à presença de Isaque, mentiu três vezes.

Este perguntou: “Quem és tu, meu filho?”.

Ele disse que era Esaú (Gn 27.19).

A primeira mentira.

Indagado porque chegara tão rápido com a caça, mentiu a segunda vez, dizendo: “Porque o Senhor, teu Deus, a mandou ao meu encontro” (Gn 27.20).

Ao abraçar Jacó, Isaque repetiu que era Esaú — “Eu sou” (Gn 27.24).

Mentiu pela terceira vez.

 

  1. Depois do seu encontro com Deus.

Observe a transformação no caráter de Jacó:

 

  1. a) Um caráter agradecido.

Jacó passou a ver as coisas numa perspectiva espiritual de um novo relacionamento com Deus, e lhe fez um voto, dizendo que se Deus não lhe deixasse faltar nada, levantaria um altar e daria o dízimo “de tudo” (Gn 28.20-22).

Neste fato, vemos que Jacó tinha consciência do valor do dízimo, como expressão sincera de gratidão a Deus, a exemplo do que fizera seu avô, Abraão, perante Melquisedeque (Gn 14.18-20).

Ele não prometeu dar o dízimo do que lhe sobrasse, mas “de tudo” como seu avô fizera (Hb 7.2).

 

  1. b) Um caráter esforçado e sofredor.

Ao chegar à casa de Labão, seu tio, revelou-se um homem trabalhador.

Ali, começou a colher o que semeara em engano e mentira.

Na “lua de mel”, foi enganado pelo sogro.

Em lugar de casar com Raquel, teve de casar com Leia.

Só depois, casou com sua amada, e para tanto, trabalhou “outros sete anos” (Gn 29.21-30).

Não foi apenas esse o preço que Jacó teve que pagar por sua vida de enganos e mentiras. Labão mudou o seu salário dez vezes, durante vinte anos (Gn 31.7).

O que o homem semeia, isso é o que colhe (Gl 6.7).

 

  1. c) Um homem na direção de Deus.

Depois de ser enganado pelo sogro, Jacó reuniu sua família e fugiu de Harã.

Mas não o fez apenas por medo do sogro.

Sua saída de Harã foi por direção de Deus (Gn 31.3,13).

Desse modo, Jacó empreendeu a fuga com a família, e logo foi perseguido pelo sogro.

Este não pôde lhe fazer mal, porque Deus entrou em ação e lhe determinou que não falasse com Jacó “nem bem nem mal” (Gn 31.24).

 

 

  1. No seu encontro com Esaú.

Ao se aproximar de Seir, onde seu irmão vivia, Jacó enviou mensageiros a Esaú, anunciando seu retorno.

Os mensageiros voltaram e disseram que Esaú vinha ao seu encontro com quatrocentos homens. Jacó temeu grandemente (Gn 32.7-12).

Mas, no Vale do Jaboque, teve um encontro que marcou o resto da sua vida.

Seu nome foi mudado para Israel, e viu Deus “face a face” (Gn 32.22-30).

Ao encontrar Esaú, reconciliou-se com ele e o abraçou com perdão e amor.

 

SÍNTESE DO TÓPICO (III)

 

Antes de ter um encontro com Deus Jacó era oportunista, mentiroso e enganador.

 

SUBSÍDIO DIDÁTICO

 

Professor, reproduza o esquema do quadro.

Utilize-o para enfatizar as características de Jacó antes do seu encontro com Deus e depois.

Ressalte que somente Deus pode mudar o nosso caráter.

 

 

 

JACÓ ANTES DO SEU ENCONTRO COM DEUS

 

JACÓ DEPOIS DO SEU ENCONTRO COM DEUS

 

Oportunista

 

Verdadeiro

 

Mentiroso

 

Paciente

 

Enganador

 

Trabalhador

 

Confia em sua esperteza em vez de buscara Deus

 

Confia em Deus para o abençoar e busca sua direção

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Em suas experiências com Deus, vemos que Jacó teve seu caráter transformado.

De oportunista e enganador, passou a ser humilde, sofredor, paciente, longânimo, altruísta.

Foi pela sua paciência e graça que Deus chamou Jacó.

Quando damos lugar ao Espírito Santo, Ele nos transforma radicalmente o caráter.

 

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