EBD – Lição 07 – Benignidade: Um Escudo Protetor Contra as Porfias

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LIÇÃO 07
BENIGNIDADE: UM ESCUDO PROTETOR CONTRA AS PORFIAS

12 de fevereiro de 2017

 

TEXTO ÁUREO

“Antes, sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo” (Ef 4.32).

 

 VERDADE PRÁTICA

A benignidade na vida do crente torna-o uma testemunha do amor de Deus.

 

COMENTÁRIO DO TEXTO ÁUREO

“Antes, sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo” (Ef 4.32).

O contexto do nosso texto áureo está no capítulo 4 da Epístola de Paulo aos Efésios entre os versículos 17 a capítulo 5.21, quando ele comenta que “a santidade cristã é oposta aos costumes dos gentios”.

A palavra «…benignos…» é tradução do vocábulo grego «chrestos», que significa «gentil», «bondoso», «útil», «amoroso», «benévolo», e que em sua forma substantivada significa «gentileza». Tal vocábulo é usado para indicar uma das qualidades de Deus, em Luc. 6:35, o qual é «bondoso», para com os ingratos e maus, para não mencionarmos as suas atitudes e ações para com os homens bons. A bondade (forma substantivada da palavra deste texto), é um dos aspectos do fruto do Espírito, conforme a lista de Gálatas 5:22,23.

«…misericordiosos ou compassivos…» No original grego temos a palavra «eusplagchnos», que significa «de coração terno», palavra usada para referir-se às «entranhas», às «vísceras intestinais», mas também ao coração, aos pulmões e outros órgãos vitais, e que era usada como figura simbólica de nossa «natureza íntima e emocional», o que talvez se tenha originado da observação de como as nossas emoções afetam os intestinos e outros órgãos internos. Esses órgãos internos eram considerados pelos povos antigos como a «sede das emoções». Essa palavra era usada por muitas vezes mais ou menos como empregamos o termo «coração». A adição do termo «eu», no início dessa palavra grega (e que significa «bom» ou «bem»), faz com que ela indique as boas condições físicas em que se encontra alguém.

Hipocrates utilizou-se desse vocábulo para indicar alguém dotado de «intestinos saudáveis», ou, figuradamente, para indicar «firmeza de coração», «coragem», ou «bondade de coração», além de «compaixão», que mui provavelmente é o sentido aqui tencionado. (Comparar com Col. 3:2, onde se encontra no grego a idéia de «vísceras de misericórdia», ou «coração misericordioso», conforme aquele versículo pode ser traduzido. Comparar também com a ideia de «bondade» ou «gentileza», como um dos aspectos do fruto do Espírito Santo, em Gálatas 5:22,23, que lhe é passagem paralela). «…perdoando-vos uns aos outros…» Neste ponto encontramos a grande exigência cristã da fraternidade, do espírito perdoador entre os crentes. Isso dá a entender que entre os crentes se cometerão ofensas reais uns contra os outros, e que muito terão eles de suportar uns dos outros. Não devemos pensar que tais falhas são imaginárias. (Com isso se pode comparar o trecho de Efésios 4:2, onde se lê: «…suportando vós uns aos outros em amor»). Essa é a atitude que Paulo recomenda também no presente versículo.

Esta passagem, que nos recomenda perdoarmo-nos uns aos outros, pode ser confrontada com a atitude do Senhor Jesus, historiada em Mateus 6:12-15. Ali o Senhor ensina-nos que o perdão mútuo é condição do perdão divino para nossas ofensas. E isso expressa uma verdade, porque ninguém pode realmente estar convertido, e, portanto, haver sido perdoado por Deus, se se nega a perdoar aos outros. Tal indivíduo permaneceria antes em seu estado de inconversão, pois o amor de Deus não terá deixado qualquer efeito duradouro sobre ele. ( II Cor. 2:7,10 e 12:13).

«… como também Deus vos perdoou em Cristo” (Ef 4.32)»- Esse perdão nos foi outorgado «…em Cristo…», ou seja, em virtude de nossa identificação e comunhão com ele, mediante a «expiação» em seu sangue (Rom. 5:11). Por essa razão é que somos «aceitos no Amado» (Efésios 1:6); e é através dele que fluem até nós todas as bênçãos espirituais que recebemos (Efésios 1:7).

O exemplo supremo de amor nos foi dado por Cristo Jesus; e o perdão que recebemos da parte de Deus, por intermédio de Cristo, é destacado como o padrão que nos compete seguir em nossas relações com o próximo. Não nos devemos esquecer que muito nos foi perdoado, e que, por isso mesmo, muito devemos perdoar. Ninguém jamais pecou contra nós de forma comparável com a maneira como temos pecado contra Deus e seu Ungido. Portanto, Paulo argumenta aqui da razão maior para a menor. A razão maior é Deus, quando ele nos perdoa; a razão menor somos nós, quando perdoamos a outros: «…Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação» (II Cor. 5:19).

A passagem de Colossences 3:13 é um paralelo direto deste versículo da epístola aos Efésios, porquanto também baseia nosso dever de perdoarmos aos outros sobre o perdão com que Cristo nos agraciou, idêntico ao perdão conferido por Deus Pai. O perdão que Deus outorga aos homens não serve apenas de «exemplo», mas igualmente de «razão necessária» pela qual nos convém perdoar aos nossos ofensores.

«…Deus vos perdoou…», esse verbo “perdoar”, segundo o original grego, da-nos a entender um ato definido, que foi efetuado na pessoa de Cristo, mediante o qual Deus nos outorgou um perdão válido e perfeito. Por conseguinte, devemos «perdoar e esquecer», sem guardar qualquer ressentimento e sem qualquer tentativa de vingança contra os nossos ofensores. (adaptado R. N. Champlin).

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Colossenses 3.12-17.

12 — Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade,

13 — suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos uns aos outros, se algum tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também.

14 — E, sobre tudo isto, revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição.

15 — E a paz de Deus, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine em vossos corações; e sede agradecidos.

16 — A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais; cantando ao Senhor com graça em vosso coração.

17 — E, quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.

 

 

OBJETIVO GERAL

Mostrar que a benignidade é um aspecto do fruto do Espírito e que a porfia é obra da carne.

 

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

  1. Reconhecer que a benignidade se fundamenta no amor;
  2. Mostrar que a porfia se fundamenta na inveja e no orgulho;
  3. Explicar porque precisamos nos revestir de benignidade.

 

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Nesta lição estudaremos a benignidade como um aspecto do fruto do Espírito.

Vivemos em uma sociedade onde temos visto o avanço da maldade e da violência.
O mundo, que jaz no Maligno, está carente de pessoas benignas.
Esse fruto nos ajuda a identificar aqueles que são discípulos de Cristo.
Como saber se estamos diante de um crente verdadeiro?
Observe se sua fala e atitudes revelam bondade.
Quem já experimentou do amor de Cristo é benigno, pois a salvação é resultado da bondade e graça do Pai.
Fomos salvos por sua graça, sua bondade.

 

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Nesta lição estudaremos mais um aspecto do fruto do Espírito, a benignidade e mais um aspecto das obras da carne, a porfia.

Veremos que o crente cheio do Espírito tem um coração benigno e procura ter relacionamentos saudáveis, evitando discussões, disputas e polêmicas.

O conselho de Paulo a Timóteo foi para que ele fugisse das discussões, polêmicas e debates acerca da lei, pois tais discussões são inúteis e não acrescentam nada à fé dos irmãos (Tt 3.9).

 

PONTO CENTRAL

A benignidade é um antídoto contra a porfia.

I. A BENIGNIDADE FUNDAMENTA-SE NO AMOR

 

  1. O que é benignidade?

Você conhece o significado dessa palavra?

Benignidade significa índole boa, bom caráter; benevolência, humanidade e bondade.

No crente, essas características não são o resultado de uma boa formação acadêmica ou de uma família funcional.

É o resultado do fruto do Espírito.

Não conseguimos ser bondosos pelo nosso próprio esforço.

A bondade que estamos estudando vem de Deus, pois Ele é a fonte de toda benevolência e amor (1Jo 4.8).

Deus é amor, logo, a benignidade é uma das características do crente.

 

  1. Jesus, exemplo de benignidade. Jesus, como homem perfeito, é o nosso maior exemplo de benignidade e amor (Jo 3.16).

Ele amou os ricos e os pobres e sempre ajudou a todos que foram até Ele, como por exemplo, a mulher cananeia cuja filha estava miseravelmente endemoninhada (Mt 15.21-28).

A princípio, parece que Jesus não estava se importando com o clamor daquela mãe.

Porém, o Mestre estava testando a fé daquela mulher.

Jesus mesmo declarou: “Ó mulher, grande é a tua fé” (Mt 15.28).

Jesus, em sua bondade, não se prendeu a debates religiosos ou políticos, pois sabia que a sua missão era salvar e resgatar os que estavam perdidos (Lc 19.10).

 

  1. A benignidade na prática.

O evangelista Billy Graham disse que é muito fácil ser indelicado e impaciente com os que erram e falham.

É fácil ser bondoso e gentil com quem nos trata bem, mas precisamos ser benignos com aqueles que erram, tropeçam e ainda nos tratam mal.

Para isso, precisamos ser cheios do Espírito Santo (Ef 5.18).

A Terceira Pessoa da Trindade, habitando em nosso interior, nos leva a ser bondosos em todas as circunstâncias.

Muitas pessoas rejeitam o cristianismo porque alguns cristãos não amam como o seu Mestre. Jesus foi gentil para com os publicanos e os pecadores.

Ele se assentava e comia com essas pessoas (Mt 9.11,12).

O Mestre também fez questão de pousar na casa do publicano Zaqueu (Lc 19.1-10).

Os publicanos, por serem os cobradores de impostos, eram odiados pelo povo, pois em geral, cobravam mais do que as pessoas deviam.

Na cruz, Jesus demonstrou benignidade ao atender o pedido de um salteador (Lc 23.42,43).

 

SÍNTESE DO TÓPICO (I)

A benignidade, fruto do Espírito, está fundamentada no amor.

 

CONHEÇA MAIS

“Porfia”

Erithia denota ambição, egoísmo, rivalidade, sendo voluntariosidade a ideia subjacente na palavra; por conseguinte, denota ‘fazedor de partidos de divisões’.

É derivado, não de éris, ‘discussão’, mas de erithos, ‘mercenário, pessoa capaz de tudo por dinheiro’; por conseguinte, o significado de ‘buscar ganhar seguidores’, facções, ‘porfias, contendas’.

É traduzido em 2 Coríntios 12.20 por ‘porfias’, não é improvável que o significado aqui seja rivalidade ou ambições vis (todas as outras palavras na lista expressam ideias abstratas em vez de facções).

Também ocorre em Gálatas 5.20; Fp 1.17; 2.3; Tg 3.14,16. Em Romanos 2.8 é traduzido como adjetivo, ‘contencioso’”.

(Dicionário Vine, CPAD, p.884)

II.A PORFIA FUNDAMENTA-SE NA INVEJA E NO ORGULHO

  1. Inimizade e porfia.

Embora estas duas palavras pareçam ter o mesmo significado, elas são distintas.

Segundo o Dicionário Houaiss, inimizade é ódio, indisposição e malquerença; porfia significa contendas de palavras, discussão, disputa e polêmica.

Embora tenham significados distintos, elas são obras da carne, da velha natureza, por isso, devemos fugir de tais ações (Gl 5.20,21).

 

  1. Evódia e Síntique.

Eram irmãs valorosas que serviam a Deus na igreja de Filipos (Fp 4.2).

Tudo indica que essas irmãs se deixaram levar pela velha natureza e estavam envolvidas em alguma porfia.

Não sabemos ao certo o motivo da diferença entre elas.

Alguns autores dizem que foram questões pessoais, outros que se tratava de uma disputa por questões eclesiásticas.

Porém, tal atitude era reprovável.

Então, Paulo exorta ambas para que acabem de uma vez por todas com as diferenças.

O apóstolo, como líder daquela igreja, não procurou saber quem estava com a razão, mas com amor e firmeza ordenou que elas parassem com tal atitude.

Em meio às porfias não existem vencedores. Todos acabam perdendo e dando lugar ao Diabo (Ef 4.27).

 

  1. Miriã e Arão.

Moisés havia sido escolhido pelo Senhor para conduzir o seu povo até Canaã, e uma das suas características mais marcantes era a mansidão e a humildade (Nm 12.3).

Todo líder precisa dessas duas características para que tenha uma liderança bem-sucedida.

Certo dia, Miriã e Arão, irmãos de Moisés, ficaram indignados pelo fato de ele ter se casado com uma mulher cuxita (Nm 12.1).

Eles não estavam preocupados com Moisés, mas, por trás da porfia, também havia outro sentimento, a inveja.

Eles certamente desejavam a liderança do irmão. Um sentimento carnal traz consigo outros sentimentos, despertando o que há de pior em cada pessoa.

As consequências da inveja e da porfia foram terríveis para Miriã e para todo o povo, pois tiveram que ficar retidos, em um lugar, até que Miriã pudesse se ajuntar novamente à congregação (Nm 12.15).

Tenha cuidado com a porfia, pois ela trará prejuízos a você e ao povo de Deus.

 

SÍNTESE DO TÓPICO (II)

A porfia é obra da carne e se fundamenta na inveja e no orgulho.

 

III. REVISTAMO-NOS DE BENIGNIDADE

  1. Retirando as vestes velhas.

Paulo exorta os crentes de Colossos a se despirem da velha natureza, deixando de lado a ira, a malícia, a maledicência e as palavras torpes (Cl 3.8).

Como filhos de Deus, precisamos nos revestir de vestes novas, ou seja, novas atitudes, a fim de anunciar ao mundo a benignidade de Deus (1Pe 2.9).

Vivemos neste mundo, mas não podemos nos conformar com a sua maneira de viver e pensar (Rm 12.1).

Precisamos de santidade, pois sem ela jamais poderemos agradar ao Senhor e nem vê-lo (Hb 12.14).

 

  1. Sede benignos.

A benignidade é um antídoto e um escudo contra as porfias.

Tornamo-nos benignos porque fomos perdoados e justificados por Jesus Cristo e agora o Espírito Santo habita em nós e nos ajuda a viver de modo santo e justo.

Fomos perdoados por Cristo.

Por isso, precisamos também conceder o perdão àqueles que nos ofendem e magoam (Mt 6.12,14,15).

De certa forma, é até fácil agir com bondade com aqueles que agem conosco dessa mesma forma, mas precisamos ser benignos com aqueles que nos odeiam e nos maltratam.

Jesus nos ensinou a amarmos até mesmo os nossos inimigos (Mt 5.44).

 

  1. Imitando a conduta de Paulo.

O apóstolo Paulo tinha uma vida ilibada, e como líder, era um exemplo para os crentes de Corinto.

Sua maneira de viver era tão santa que ele desafiou os crentes a serem seus imitadores (1Co 11.1).

Sua família, seus amigos e seus irmãos em Cristo podem imitar seus atos e suas ações? Paulo seguia o exemplo de Jesus.

Precisamos também seguir o exemplo do Mestre e nos tornarmos semelhantes a Ele.

Não podemos nos esquecer que ser cristão é ser semelhante a Cristo.

Jesus deve ser o padrão para o nosso viver.

Ele tinha uma vida social intensa; ia a casamentos (Jo 2.1-12), jantares na casa dos amigos (Jo 12.1-11), mas não se deixou seduzir pelas coisas desse mundo.

 

SÍNTESE DO TÓPICO (III)

O crente precisa se revestir de benignidade.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Se realmente desejamos expressar um cristianismo vivo, autêntico, precisamos excluir do nosso meio as porfias, pois são obras da carne e maculam corpo de Cristo.

Precisamos seguir o exemplo de Jesus Cristo, que, com sua benignidade, atraía as pessoas para se reconciliarem com Deus.

Jesus manifestou sua benignidade curando os enfermos, libertando os oprimidos pelo Diabo e morrendo na cruz pelas nossas ofensas e delitos.

Cristo é nosso exemplo de como andar em amor, como oferta de cheiro perfumado.

As ofertas pelo pecado descritas no Antigo Testamento não eram perfumadas.

Mas isto é dito acerca de Jesus, nossa oferta pelo pecado, que se deu em ternura, compaixão e brandura, porque Ele nos amou.

Jesus demonstrou em sua forma mais elevada o significado de ser benigno e misericordioso uns para com os outros.

É por isso que para o apóstolo Paulo Ele era a oferta de cheiro perfumado, oferecida em amor.

O Salmo 34.8 declara: ‘Provai e vede que o Senhor é bom’, o que fala de brandura. Este versículo bíblico diz respeito a experimentar de modo pessoal a benignidade de Deus.

 

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